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Projeto mapeia condições de saúde em quilombos do Piauí para orientar políticas públicas

Iniciativa "Saúde como Resistência" coleta dados, promove autonomia e busca visibilidade para a baixa cobertura da Atenção Primária em comunidades quilombolas
A imagem mostra um homem branco cuidando da saúde bucal de uma criança negra, no povoado Fazenda do Meio, Quilombo Lagoas, no Piauí.

A imagem mostra um homem branco cuidando da saúde bucal de uma criança negra, no povoado Fazenda do Meio, Quilombo Lagoas, no Piauí.

— Reprodução/UFPI

11 de dezembro de 2025

O projeto de extensão “Saúde como Resistência da População Quilombola Piauiense”, desenvolvido pelo Departamento de Bioquímica e Farmacologia do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Piauí (UFPI), atua para enfrentar a baixa cobertura da Atenção Primária à Saúde (APS) em territórios quilombolas do estado. 

A iniciativa parte do reconhecimento de que o Sistema Único de Saúde (SUS) deve promover equidade e acolher demandas de grupos historicamente vulnerabilizados. As ações já alcançaram os povoados Umburana, Fazenda do Meio, Boi Morto, Boa Vista do Braz e Moisés, todos no Quilombo Lagoas. 

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Coordenado pelo professor Osmar Cardoso, do Departamento de Bioquímica e Farmacologia, o projeto reúne dois docentes, dois mestrandos e dez estudantes de graduação das áreas de Enfermagem e Medicina.

O trabalho combina coleta de dados socioeconômicos, epidemiológicos e ambientais com ações de conscientização, rodas de conversa e capacitações. Um dos pilares do projeto é a devolução das informações coletadas para os próprios moradores.

“O projeto transforma problemas historicamente invisíveis em evidências concretas capazes de orientar políticas públicas e fortalecer o cuidado”, explicou em nota da UFPI o professor Osmar Cardoso. 

Segundo ele, ao apresentar e discutir os resultados preliminares com a comunidade, os dados deixam de ser números abstratos e passam a fazer sentido no cotidiano das pessoas. Isso permite que os moradores identifiquem seus problemas, reconheçam os determinantes sociais da saúde e compreendam os fatores que dificultam o acesso aos serviços.

Produto final visa influenciar gestão pública

Como produto final, o projeto vai elaborar cadernos de saúde específicos sobre a população quilombola piauiense. Os documentos reunirão mapas e análises que poderão ser utilizados pelo poder público para planejar ações de equidade, reorganizar a APS e implementar medidas direcionadas às necessidades reais dos territórios.

“As ações de conscientização, como orientações sobre cuidados de saúde, prevenção de doenças e direitos no SUS podem ampliar ainda mais essa autonomia ao fornecer informações que empoderam a população a reivindicar melhorias”, ressaltou Cardoso.

O projeto reconhece que as comunidades quilombolas no Piauí ainda enfrentam baixa cobertura da Atenção Primária à Saúde, com impactos diretos em sua qualidade de vida. A iniciativa busca promover visibilidade a essas condições e contribuir para uma compreensão mais ampla de suas realidades.

Texto com informações da Universidade Federal do Piauí (UFPI)

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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