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Operários terceirizados de obra da BYD na Bahia fazem greve por condições de trabalho

Trabalhadores terceirizados de obra paralisada há mais de uma semana em Camaçari (BA) denunciam demissões durante a paralisação; polícia usou gás lacrimogêneo contra a mobilização
Operários mobilizam greve em frente a fábrica da BYD, unidade de Camaçari, na Bahia.

Operários mobilizam greve em frente a fábrica da BYD, unidade de Camaçari, na Bahia.

— Reprodução/Isabella Tanajura/Jornal A Verdade

12 de dezembro de 2025

Operários terceirizados que atuam na construção da fábrica da BYD (Build Your Dreams) em Camaçari (BA), na região metropolitana de Salvador, estão em greve desde a semana passada reivindicando melhores condições de trabalho. Desde então, há denúncias de demissões e repressão policial.

Entre as demandas dos trabalhadores estão: o pagamento de 30% por insalubridade; aumento do auxílio-alimentação e transporte; instalação de bebedouros, vestiários, banheiros e fumódromos; a disponibilização de mais ônibus para deslocamento interno; a regularização do pagamento de salários; e a atualização do piso salarial.

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Segundo relatos publicados nas redes sociais pelo Sindicato Livre dos Trabalhadores da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial de Camaçari e região, houve demissões por justa causa na segunda-feira (8), no sétimo dia de greve no canteiro de obras. Entre os desligados estariam integrantes da entidade e candidatos à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), o que, segundo o sindicato, viola a lei trabalhista.

Ainda conforme a entidade, criada durante a mobilização dos trabalhadores, as demissões ocorreram após o envio de uma comissão de cerca de 100 operários à Delegacia Regional do Trabalho. Além disso, o sindicato aponta que os trabalhadores teriam sido informados durante negociações de que as faltas seriam abonadas e que não haveria dispensas.

Na manhã da terça-feira (9), a Polícia Militar da Bahia reprimiu uma manifestação organizada pelos funcionários terceirizados na entrada da unidade. Operários relataram o uso de bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o ato, ocorrido no oitavo dia da greve.

A paralisação se soma a um histórico recente de denúncias trabalhistas. Em dezembro de 2024, uma força-tarefa resgatou 163 trabalhadores em condições análogas à escravidão e interditou parte do canteiro de obras na planta. A ação envolveu o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Polícia Federal (PF) e outros órgãos. Uma ação civil pública do MPT pede indenização de R$ 257 milhões por danos morais coletivos, além de compensações individuais.

A Alma Preta tentou contato com a construtora Falcão, uma das empresas terceirizadas acusadas de demitir funcionários durante a paralisação, com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia e com o 12º Batalhão da Polícia Militar da Bahia, de Camaçari, mas não houve retorno. A BYD foi contatada pela Alma Preta, mas não se pronunciou até o fechamento do texto. O espaço segue aberto para manifestações.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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