Operários terceirizados que atuam na construção da fábrica da BYD (Build Your Dreams) em Camaçari (BA), na região metropolitana de Salvador, estão em greve desde a semana passada reivindicando melhores condições de trabalho. Desde então, há denúncias de demissões e repressão policial.
Entre as demandas dos trabalhadores estão: o pagamento de 30% por insalubridade; aumento do auxílio-alimentação e transporte; instalação de bebedouros, vestiários, banheiros e fumódromos; a disponibilização de mais ônibus para deslocamento interno; a regularização do pagamento de salários; e a atualização do piso salarial.
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Segundo relatos publicados nas redes sociais pelo Sindicato Livre dos Trabalhadores da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial de Camaçari e região, houve demissões por justa causa na segunda-feira (8), no sétimo dia de greve no canteiro de obras. Entre os desligados estariam integrantes da entidade e candidatos à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), o que, segundo o sindicato, viola a lei trabalhista.
Ainda conforme a entidade, criada durante a mobilização dos trabalhadores, as demissões ocorreram após o envio de uma comissão de cerca de 100 operários à Delegacia Regional do Trabalho. Além disso, o sindicato aponta que os trabalhadores teriam sido informados durante negociações de que as faltas seriam abonadas e que não haveria dispensas.
Na manhã da terça-feira (9), a Polícia Militar da Bahia reprimiu uma manifestação organizada pelos funcionários terceirizados na entrada da unidade. Operários relataram o uso de bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o ato, ocorrido no oitavo dia da greve.
A paralisação se soma a um histórico recente de denúncias trabalhistas. Em dezembro de 2024, uma força-tarefa resgatou 163 trabalhadores em condições análogas à escravidão e interditou parte do canteiro de obras na planta. A ação envolveu o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Polícia Federal (PF) e outros órgãos. Uma ação civil pública do MPT pede indenização de R$ 257 milhões por danos morais coletivos, além de compensações individuais.
A Alma Preta tentou contato com a construtora Falcão, uma das empresas terceirizadas acusadas de demitir funcionários durante a paralisação, com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia e com o 12º Batalhão da Polícia Militar da Bahia, de Camaçari, mas não houve retorno. A BYD foi contatada pela Alma Preta, mas não se pronunciou até o fechamento do texto. O espaço segue aberto para manifestações.