PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Morre Mãe Carmen, filha de Mãe Menininha do terreiro do Gantois

Ialorixá comandou o terreiro do Gantois por 23 anos e foi reconhecida pelo fortalecimento do candomblé; ela estava internada há duas semanas
A ialorixá Carmen Oliveira da Silva, conhecida como Mãe Carmen do Gantois, reconhecida por fortalecer a história do candomblé no país.

A ialorixá Carmen Oliveira da Silva, conhecida como Mãe Carmen do Gantois, reconhecida por fortalecer a história do candomblé no país.

— Reprodução/Redes Sociais

26 de dezembro de 2025

A ialorixá Carmen Oliveira da Silva, conhecida como Mãe Carmen do Gantois, faleceu nesta sexta-feira (26), aos 98 anos, em Salvador. Filha mais nova de Mãe Menininha do Gantois, uma das maiores referências do candomblé no Brasil, ela estava internada havia duas semanas no Hospital Português, em decorrência de uma forte gripe, segundo o Uol. Mãe Carmen completaria 99 anos na próxima segunda-feira (29).

A morte foi confirmada por meio de nota publicada nas redes sociais do Ilé Ìyá Omi Àṣẹ Ìyámase, conhecido como terreiro do Gantois, onde atuava como liderança religiosa havia 23 anos.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Na nota, a comunidade destacou a trajetória da ialorixá, reconhecida por fortalecer a história do candomblé na Bahia e no Brasil, e ressaltou seu legado marcado pela fé, pelo cuidado comunitário e pela preservação da ancestralidade.

“Há 23 anos à frente do Gantois, Mãe Carmen assumiu com amor, coragem e responsabilidade a condução de uma Casa que é fé, memória e identidade. Ser Ìyáloriṣa em sua presença, sempre significou cuidar, proteger, orientar e sustentar o axé com dignidade, firmeza e sabedoria, zelando pela comunidade e pela continuidade de uma tradição ancestral”, diz o comunicado.

Mãe Carmen nasceu em 1926, mas foi registrada apenas dois anos depois. Desde a infância, teve a vida dedicada ao sagrado e foi iniciada no candomblé aos sete anos de idade, para o orixá Oxaguian, associado à criação. Em 2002, assumiu a liderança do terreiro do Gantois, tornando-se a quinta ialorixá da casa fundada em 1849, em Salvador.

Ela era filha de Maria Escolástica de Conceição Nazaréa, a Mãe Menininha do Gantois, falecida em 1986, que também foi  Ialorixá do terreiro, um dos mais antigos e importantes para a religião.  Mãe Carmen deixa três netos e quatro bisnetos.

A ialorixá foi homenageada com a música “A Força do Gantois”, lançada em 2011 e composta pelo sambista Nelson Rufino. Em maio de 2023, recebeu a Comenda Maria Quitéria, concedida pela Câmara Municipal de Salvador a mulheres que se destacam por sua atuação em benefício da cidade ou do estado da Bahia.

Em 2010, recebeu a Medalha dos Cinco Continentes ou da Diversidade Cultural, honraria concedida pela Unesco, em reconhecimento ao trabalho de preservação das tradições e de promoção do diálogo inter-religioso.

Além da atuação religiosa, a ialorixá desenvolveu ações socioeducativas junto à comunidade do Gantois. No campo cultural, promoveu iniciativas voltadas à preservação da memória das religiões de matriz africana, além de cursos de ritmos, toques, dança e bordados tradicionais.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Thayná Santana

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano