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Pesquisa destaca falta de representatividade negra no Ministério das Relações Exteriores

De acordo com levantamento do portal Brasil de Fato, 91,7% dos 204 postos do Itamaraty no exterior são chefiados por pessoas brancas
O Palácio do Itamaraty, em Brasília (DF).

O Palácio do Itamaraty, em Brasília (DF).

— Leticia Clemente/MRE

13 de janeiro de 2026

No Brasil, país onde aproximadamente 56% da população é negra, este grupo social representa apenas 15,7% da carreira diplomática nacional. As informações são do levantamento realizado pelo jornal Brasil de Fato, divulgado nesta terça-feira (13).

Os dados utilizados integram o Boletim Estatístico Étnico-Racial do Serviço Exterior Brasileiro do Ministério das Relações Exteriores (MRE) referentes a setembro de 2025, obtidos pelo veículo por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

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Para os postos de chefia o percentual é ainda menor. Em setembro de 2025, somente 4,9% dos cargos de alto-escalão eram ocupados por negros. Nos cargos de chefe de posto, os diplomatas respondem por unidades do Brasil no exterior, em embaixadas e consulados, responsáveis pela representação internacional do país.

De acordo com o boletim, 91,7% dos 204 postos no exterior são comandados por pessoas brancas. Entre as pessoas não-brancas, pretos e pardos somaram, respectivamente, 1% e 3,9%. Indígenas representaram 1% das chefias e amarelos, 1,5%.

A pesquisa também destaca que, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, nenhuma pessoa negra ou mulher foi escolhida para liderar o MRE. 

No Itamaraty, a carreira diplomática requer ingresso por concurso público e é organizada por uma hierarquia funcional que inicia no cargo de terceiro-secretário e vai até o posto de ministro de primeira classe, topo da profissão.

Segundo o Brasil de Fato, as pessoas negras representam 33,9% dos terceiros-secretários e 23,2% dos segundos-secretários. Só 6,3% dos ministros de primeira classe se autodeclararam negros.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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