PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

‘É memória e ancestralidade’: chef congolês difunde cultura africana no Brasil a partir da gastronomia

Em entrevista à Alma Preta, Rikler Makabu Sekelembe compartilha a história de seu projeto que une culinária, cultura e ancestralidade
O chef Rikler Makabu Sekelembe, líder do projeto Chez Kimberly Food.

O chef Rikler Makabu Sekelembe, líder do projeto Chez Kimberly Food.

— Divulgação/Chez Kimberly Food

23 de fevereiro de 2026

“Não fazemos só comida. Estamos levando cultura, memória e ancestralidade para toda cidade brasileira”. Essa é a proposta do projeto Chez Kimberly Food, liderado pelo chef Rikler Makabu Sekelembe, produtor cultural e palestrante natural da República Democrática do Congo, ao difundir no Brasil a gastronomia africana e as tradições de seu país.

Em entrevista à Alma Preta, Sekelembe conta como o empreendimento criado há seis anos no Rio de Janeiro o ajudou a reencontrar suas raízes na gastronomia.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

A iniciativa surgiu durante uma visita do chef a uma prima, que também deixou a RD Congo. Ao perceber a presença de imigrantes africanos na cidade, mas a ausência de iniciativas voltadas à cultura africana, Sekelembe decidiu reunir amigos aos domingos para cozinhar pratos típicos. “Começamos a nos encontrar todo fim de semana, eu levava a comida, preparava os pratos e assim nasceu o projeto”, relata.

A relação do profissional com a cozinha começou ainda na infância. Único homem em uma família com cinco mulheres, ele aprendeu a cozinhar com a mãe e a irmã. Para o congolês, a comida é uma forma de preservar memórias e fortalecer a conexão com a própria identidade.

“Perguntei para a minha mãe qual era o segredo da comida dela e ela respondeu que era amor e paciência. É isso que tento transmitir. Já vi gente chorar ao provar um prato e lembrar da avó”, conta.

Entre as receitas servidas pelo chef está o prato “Sekelembe”, feito com a folha fumbwa e pasta de amendoim. O prato possui uma história ligada à guerra civil em Angola, conflito que durou 27 anos e levou muitos angolanos a se refugiarem na RD Congo. Segundo o congolês, foi nesse contexto que a folha passou a ser consumida como alimento.

“As pessoas fugiram da guerra de Angola e vieram para o Congo. No meio do mato, descobriram essa folha”, compartilha.

O prato “Sekembele”, feito com folha fumbwa e pasta de amendoim. (Foto: Divulgação/Chez Kimberly Food).

Semelhanças com o Brasil

Sekelembe destaca a proximidade entre ingredientes usados no Brasil e na culinária da RD Congo e de Angola, como folha de mandioca, dendê, banana-da-terra e batata-doce.

Um exemplo é o Pondu, ensopado tradicional da República Democrática do Congo feito com folhas de mandioca. No Brasil, há semelhança com a Maniçoba, prato típico da culinária paraense.

“No Congo, chama Pondu, que é folha de mandioca. Em Angola se chama kizaka e aqui no Brasil se chama Maniçoba, mas são  pratos um pouco parecidos”.

Gastronomia como intercâmbio cultural

Atualmente, o chef participa de eventos gastronômicos como a Feira da Glória, além de promover projetos voltados ao fortalecimento da cultura africana. Um deles é o “Jantar Africano”, que reúne chefs de diferentes países do continente para preparar pratos típicos acompanhados de música, dança e exposições culturais.

No projeto “Convivência Africana: Sabor e Saber”, Sekelembe ensina o preparo de receitas tradicionais. Já na iniciativa “Vamos Nos Ajudar”, distribui gratuitamente comida africana em territórios periféricos, ampliando o acesso à gastronomia do continente.

Sekelembe também criou o “Dia dos Países Africanos”, evento mensal dedicado a uma nação específica, com gastronomia, moda, música, empreendedorismo e palestras. A próxima edição será o “Dia de Angola”, marcada para 28 de fevereiro, no Atelier Bonifácio, no centro do Rio, com entrada gratuita.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Thayná Santana

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano