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Operações policiais no Complexo da Maré mataram 160 pessoas em 9 anos

Levantamento da Redes da Maré indica que apenas uma das mortes resultou em denúncia formal para investigação
Patrulhamento do BOPE no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, em de 30 de março de 2014.

Patrulhamento do BOPE no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, em de 30 de março de 2014.

— Christophe Simon/AFP

19 de março de 2026

Nos últimos nove anos, ao menos 160 pessoas foram mortas em operações policiais nas 15 favelas do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pela organização Redes da Maré nesta quinta-feira (19).

Segundo a 9ª edição do Boletim Direito à Segurança Pública na Maré 2025, entre 2016 e 2025, foram deflagradas 231 ações da polícia na região. Também há registros de cerca de 1,5 mil ações de violência e violações de direitos dos moradores, além de ameaças, tortura e cárcere privado. 

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“Há períodos que concentram verdadeiros massacres, como 2019 (30 mortes) e 2022 (26 mortes), evidenciando que a política de segurança pública segue operando sob uma lógica letal e ineficaz. A vida dos moradores continua sendo tratada como dano colateral. E diga-se sem rodeios: não é excesso, é método!”, diz trecho do documento

A documentação da série histórica foi realizada de maneira independente pela organização, com dados locais extraídos pelo Eixo Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça da Redes. 

A pesquisa indica que apenas 16 de todas as mortes tiveram perícia realizada após os óbitos. Entre as periciadas, somente uma resultou em denúncia formal para investigação. A alegação de instabilidade do território, destaca o estudo, é recorrentemente utilizada como justificativa para negar o procedimento. 

O levantamento indica impactos significativos em crianças e adolescentes em idade escolar. De acordo com o boletim, houve 163 dias com escolas fechadas em decorrência das operações em todo o intervalo observado. 

O número equivale à perda de aproximadamente um ano letivo completo na trajetória educacional dos estudantes. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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