PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Mulheres negras e indígenas debatem meio ambiente e política no MIT

Lideranças destacam a urgência de incluir comunidades negras e indígenas nas decisões sobre clima e território
Divulgação Brazil Conference

Divulgação Brazil Conference

— Divulgação Brazil Conference

28 de março de 2026

Massachusetts Institute of Technology, EUA – Apesar de ser primavera, a temperatura de menos cinco graus em Boston anuncia aos jornalistas da Alma Preta que as mudanças climáticas já chegaram por aqui. Apesar da sensação amena fora dos auditórios Wong e Samberg no MIT, o clima esquentou dentro do painel que debate a sustentabilidade dos territórios, clima e desenvolvimento.

Em uma das composições de mesa com mais representatividade na Conferência, as convidadas Samela Sateré Mawé e Domitilla Barros ressaltam a importância de ocupar espaços de poder, envolver as comunidades indígenas e negras no debate climático, e conscientizar as pessoas em relação ao uso sustentável da terra.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Durante a agenda, a bióloga, ativista e comunicadora Samela ressalta a conscientização ambiental a partir da perspectiva dos povos indígenas. “Quando falamos de justiça climática e racismo ambiental, cabe a mim traduzir esses termos para os meus parentes. Esse é o meu papel enquanto jovem, comunicadora e bióloga”, completa.

De acordo com ela, esse distanciamento do pensamento colonial em relação aos povos que protegem as florestas é prejudicial para os avanços de preservação do meio ambiente. “Nas COPs, nossas lideranças globais ainda não trazem, como deveriam, as perspectivas dos povos indígenas e ribeirinhas. Seguimos lutando para que nossas vozes sejam ouvidas, respeitadas e reconhecidas”, completa.

Diversidade nos espaços de decisão e soluções climáticas

Já a autora, palestrante, ESG awardee e Forbes Black Community Domitilla Barros, aborda o papel da diversidade nos espaços de decisão para interromper essas dinâmicas. Ela comenta que por muito tempo lhe disseram que a não contratação de mulheres negras se devia à capacitação insuficiente. “Hoje a realidade mudou: existem mulheres preparadas e qualificadas, que podem ocupar esses espaços”, afirma.

A partir dessa lógica, ela questiona a repetição desses paradigmas antigos de sub representação. “Fazer sempre igual e esperar resultados diferentes é a definição de loucura. Além disso, cada pessoa traz experiências diferentes, ou seja, uma pessoa negra de determinada comunidade vai enxergar desafios que uma pessoa branca, mesmo bem-intencionada, talvez não perceba”, destaca Domitilla.

Para a autora, essas vivências diversas refletem diretamente na forma como as decisões são tomadas. Nesse sentido, ela ressalta que esse é o caminho para construir inovação. “A diversidade potencializa a criação de soluções novas, que só surgem quando diferentes perspectivas estão na liderança”, completa.

No fim, a palestra mostra que incluir mulheres negras e indígenas nos espaços de decisão é fundamental para construir soluções mais justas e eficazes para os desafios climáticos. Trazer diferentes perspectivas enriquece o debate e evidencia que sustentabilidade e justiça caminham juntas na construção de um futuro mais equilibrado e inclusivo.

Sobre as palestrantes

Autora, palestrante, ESG awardee e Forbes Black Community: Domitila Barros é uma liderança global em sustentabilidade e justiça social, com trajetória premiada pela UNESCO há mais de duas décadas. Autora best-seller e estrategista em ESG, atua em fóruns internacionais como a Abu Dhabi Sustainability Week e a Wharton School. Embaixadora das Fronteiras Planetárias e dos FISU World University Games 2025, articula diplomacia climática, governança e inovação. Reconhecida no Cannes Film Festival, é jurada em iniciativas de impacto social e referência em regeneração ambiental.

Bióloga, ativista e comunicadora: Samela Sateré Mawé é liderança do povo Sateré Mawé e graduada em Biologia pela UEA. Ativista ambiental e comunicadora, integra as equipes da Apib, da ANMIGA e da Rádio Nacional dos Povos, utilizando as redes como ferramenta de resistência e proteção territorial. Com participação ativa nas COPs 26, 27, 28 e 30, é membro da Amism e defensora do conceito de “futuro ancestral”. Durante a pandemia, ganhou destaque nacional ao coordenar redes de auxílio e informação em comunidades da Amazônia.

Serviço

Quando: 28 e 29 de março de 2025 (sábado e domingo).
Onde: Harvard e MIT, em Cambridge, nos Estados Unidos ou online.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Victor Oliveira

    Jornalista formado pela Unesp e pós-graduando em Jornalismo Digital. Atualmente é Gerente de Projetos da Alma Preta Jornalismo.

  • Elaine Silva

    Possui formação em Administração de empresas e Gestão Financeira na UNIESP e Anhembi Morumbi, é responsável pela análise, gestão, controle contábil, planejamento estratégico de negócios, desenvolvimento institucional e captação de recursos para organizações e empresas. Fundadora da Black Adnetwork, Sócia Diretora da Alma Preta Jornalismo, Cofundadora do Instituto Fala, Conselheira Titular do Conselho Nacional Pela Igualdade Racial (CNPIR), Conselheira Consultiva nas organizações Tornavoz, Alafia, Sleeping Giants e DiversaCom. Diretora financeira nas empresas: Instituto Matizes, Diver.ssa e Nós Mulheres da Periferia.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano