Massachusetts Institute of Technology, EUA – Apesar de ser primavera, a temperatura de menos cinco graus em Boston anuncia aos jornalistas da Alma Preta que as mudanças climáticas já chegaram por aqui. Apesar da sensação amena fora dos auditórios Wong e Samberg no MIT, o clima esquentou dentro do painel que debate a sustentabilidade dos territórios, clima e desenvolvimento.
Em uma das composições de mesa com mais representatividade na Conferência, as convidadas Samela Sateré Mawé e Domitilla Barros ressaltam a importância de ocupar espaços de poder, envolver as comunidades indígenas e negras no debate climático, e conscientizar as pessoas em relação ao uso sustentável da terra.
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Durante a agenda, a bióloga, ativista e comunicadora Samela ressalta a conscientização ambiental a partir da perspectiva dos povos indígenas. “Quando falamos de justiça climática e racismo ambiental, cabe a mim traduzir esses termos para os meus parentes. Esse é o meu papel enquanto jovem, comunicadora e bióloga”, completa.
De acordo com ela, esse distanciamento do pensamento colonial em relação aos povos que protegem as florestas é prejudicial para os avanços de preservação do meio ambiente. “Nas COPs, nossas lideranças globais ainda não trazem, como deveriam, as perspectivas dos povos indígenas e ribeirinhas. Seguimos lutando para que nossas vozes sejam ouvidas, respeitadas e reconhecidas”, completa.
Diversidade nos espaços de decisão e soluções climáticas
Já a autora, palestrante, ESG awardee e Forbes Black Community Domitilla Barros, aborda o papel da diversidade nos espaços de decisão para interromper essas dinâmicas. Ela comenta que por muito tempo lhe disseram que a não contratação de mulheres negras se devia à capacitação insuficiente. “Hoje a realidade mudou: existem mulheres preparadas e qualificadas, que podem ocupar esses espaços”, afirma.
A partir dessa lógica, ela questiona a repetição desses paradigmas antigos de sub representação. “Fazer sempre igual e esperar resultados diferentes é a definição de loucura. Além disso, cada pessoa traz experiências diferentes, ou seja, uma pessoa negra de determinada comunidade vai enxergar desafios que uma pessoa branca, mesmo bem-intencionada, talvez não perceba”, destaca Domitilla.
Para a autora, essas vivências diversas refletem diretamente na forma como as decisões são tomadas. Nesse sentido, ela ressalta que esse é o caminho para construir inovação. “A diversidade potencializa a criação de soluções novas, que só surgem quando diferentes perspectivas estão na liderança”, completa.
No fim, a palestra mostra que incluir mulheres negras e indígenas nos espaços de decisão é fundamental para construir soluções mais justas e eficazes para os desafios climáticos. Trazer diferentes perspectivas enriquece o debate e evidencia que sustentabilidade e justiça caminham juntas na construção de um futuro mais equilibrado e inclusivo.
Sobre as palestrantes
Autora, palestrante, ESG awardee e Forbes Black Community: Domitila Barros é uma liderança global em sustentabilidade e justiça social, com trajetória premiada pela UNESCO há mais de duas décadas. Autora best-seller e estrategista em ESG, atua em fóruns internacionais como a Abu Dhabi Sustainability Week e a Wharton School. Embaixadora das Fronteiras Planetárias e dos FISU World University Games 2025, articula diplomacia climática, governança e inovação. Reconhecida no Cannes Film Festival, é jurada em iniciativas de impacto social e referência em regeneração ambiental.
Bióloga, ativista e comunicadora: Samela Sateré Mawé é liderança do povo Sateré Mawé e graduada em Biologia pela UEA. Ativista ambiental e comunicadora, integra as equipes da Apib, da ANMIGA e da Rádio Nacional dos Povos, utilizando as redes como ferramenta de resistência e proteção territorial. Com participação ativa nas COPs 26, 27, 28 e 30, é membro da Amism e defensora do conceito de “futuro ancestral”. Durante a pandemia, ganhou destaque nacional ao coordenar redes de auxílio e informação em comunidades da Amazônia.
Serviço
Quando: 28 e 29 de março de 2025 (sábado e domingo).
Onde: Harvard e MIT, em Cambridge, nos Estados Unidos ou online.