Massachusetts Institute of Technology (MIT), EUA – A 12ª edição da Brazil Conference levou a um dos maiores centros acadêmicos do mundo um dos principais fenômenos da comunicação brasileira. Neste sábado (28), Igão, Mítico e o CEO e sócio do grupo Podpah, Victor Assis, marcaram presença na universidade para discutir comunicação e inovação.
Antes de participar do painel, os apresentadores e o CEO deram entrevista exclusiva à Alma Preta. Para além do debate focado em soluções a partir da comunicação, os integrantes do quarto podcast mais ouvido no Brasil em 2025 comentaram a atuação do grupo na próxima Copa do Mundo.
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A nova comunicação é feita em comunidade: como aproveitar os nichos para influenciar a audiência
A partir do debate proposto pela Brazil Conference, o papel da comunicação ganha centralidade diante das novas dinâmicas de distribuição e alcance. Parte desse cenário é viabilizado pela adaptação da linguagem nos conteúdos digitais, utilizados conforme o nicho da comunidade que os consome.
Nesse sentido, o apresentador Igão afirma que a linguagem do programa é uma ferramenta de democratização do acesso à informação. “A gente tenta ter a conversa mais fácil possível, sem termos rebuscados . É uma conversa de igual para igual”, afirma.
De acordo com ele, este formato cria um ambiente mais aberto e receptivo, independentemente de quem está sendo entrevistado, seja uma autoridade política ou um artista da periferia. “Quando você lida dessa forma, a pessoa relaxa e se sente mais a vontade”, explica.
Já para o CEO Victor Assis, o projeto representa a descentralização da comunicação, permitindo o surgimento de novos atores e narrativas fora dos meios tradicionais. “Hoje existem vários portais e grupos de mídia relevantes dentro de nichos específicos. Quando você descentraliza, você cria mais conexão com a audiência”, destaca.
Além disso, ele ressalta que a presença do Podpah na Brazil Conference, em um espaço como o MIT, simboliza essa transformação. “Não é óbvio ter pessoas como a gente falando para a elite acadêmica. Isso mostra que novos espaços estão se abrindo para outros formatos de comunicação.”
Podpah na Copa do Mundo 2026 materializa o sonho dos meninos negros da quebrada
Assim como aponta o evento, o podcast revela um novo formato de distribuição e a influência no pensamento crítico popular. Essa dinâmica se evidencia especialmente em grandes eventos, que aproximam o público brasileiro de conteúdos produzidos com autenticidade.
Ao ocupar esse espaço na cobertura da Copa do Mundo de 2026, o grupo destaca o impacto simbólico de estar em ambientes antes restritos às grandes emissoras. “Só quem tinha direito de transmissão podia estar nesses lugares. Atualmente, a gente pode estar presente com a nossa linguagem, mais próximo da nossa audiência”, afirma Igão.
Para ele, a presença do Podpah nesses eventos, como já ocorreu na Copa do Catar e nas Olimpíadas, amplia o acesso e aproxima o público de realidades antes distantes. “A audiência se vê na gente. Muitas pessoas se enxergam no Igão, Mítico e Victor. Quando a gente mostra os bastidores, isso cria um senso de pertencimento”, ressalta.
Já o apresentador Mítico, aponta a aposta em formatos alternativos para a cobertura, fugindo do padrão tradicional da mídia esportiva. “Vai existir a cobertura tradicional, mas por que não mostrar de outras formas? A gente quer trazer outras visões, outras narrativas”, compara.
Fenômeno Podpah quebra paradigmas e reforça linguagem autêntica da quebrada
Criado em 2020, o Podpah se consolidou como um dos principais podcasts do Brasil, com milhões de inscritos e um ecossistema de conteúdo que vai além do formato tradicional de entrevistas, posicionando-se como um hub de mídia digital.
Durante o encontro, os convidados relembraram o início do projeto e destacaram a importância da vivência na construção da identidade do programa. “Quando eu levei a proposta para o Igão, ele já trouxe todos os elementos. A ideia era ser pioneiro nas discussões sobre a realidade urbana e periférica”, comenta Mítico.
Mesmo com o sucesso, Igão relembra as inseguranças enfrentadas ao longo da trajetória. “Foi na terapia que consegui encontrar caminhos para me sentir mais tranquilo. Hoje eu penso: calma, você pode ir para Boston participar de uma conferência durante quatro dias”, afirma.
Responsável pela área de negócios do grupo, Victor Assis também pontua os aprendizados ao longo da construção do Podpah. “No começo, pensamos a marca como um creator, mas na verdade ela é uma plataforma, um hub de conteúdo que mantém relações comerciais e institucionais para ser sustentável”, explica.
Nesse processo, Mítico destaca a importância da relação positiva com as marcas desde o início. “No começo, a gente colocava produtos na mesa para mostrar às empresas o potencial de visibilidade dentro do nosso formato”, relembra.
A participação do Grupo na Brazil Conference evidencia mudanças no campo da comunicação no Brasil, com o avanço de formatos mais diretos e conectados a públicos específicos. A presença do grupo em espaços como o MIT e em eventos internacionais também indica uma ampliação de quem produz e circula informação, ainda que esses movimentos coexistem com estruturas tradicionais de mídia.