A Justiça do Estado de São Paulo determinou, na quinta-feira (23), o afastamento da função pública da policial militar Yasmin Ferreira, que alvejou e matou Thawanna da Silva Samázio durante uma abordagem na Zona Leste de São Paulo.
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O caso ocorreu no dia 3 de abril, na Cidade Tiradentes. Segundo os registros das câmeras corporais, Thawanna e o marido andavam e conversavam pela rua quando uma viatura se aproximou e esbarrou no braço do companheiro da vítima.
Em seguida, outro policial retornou com o carro e iniciou uma discussão, questionando o porquê de estarem andando na rua. A PM, recém-formada na corporação, atirou na mulher durante o debate.
Aos colegas e autoridades, a agente alegou que Thawanna teria dado um tapa em seu rosto, informação contestada pelo esposo da vítima. Após o disparo, o resgate solicitado demorou cerca de 30 minutos para chegar ao local.
A sentença, assinada pelo juiz Antônio Carlos Ponte de Souza, retira o porte de arma e proíbe Ferreira de manter contato com testemunhas e parentes da vítima, além de exigir o recolhimento domiciliar das 22h às 5h.
Para o magistrado, o caso possui provas de materialidade e indícios suficientes da autoria da conduta criminosa, marcada por “impulsividade, descontrole emocional e absoluta desproporcionalidade”.
“Os elementos informativos até então produzidos revelam quadro que extrapola, de forma inequívoca, os limites do uso legítimo da força por agente estatal”, declarou Souza, no documento.
A morte de Thawanna é investigada pelo Grupo de Atuação Especial de Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (GAESP) do Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Duas semanas após o crime, antes de ser suspensa, uma nova legislação estadual (Lei nº 18.442/26) conferiu um aumento salarial de R$ 480 para a policial.
A norma uniu as carreiras de soldados de segunda classe, como Yasmin, e de primeira classe em uma só patente. Hierarquicamente, os agentes da primeira classe são superiores e não podem sofrer redução salarial.