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Campanha quer ampliar acesso e permanência de estudantes negros no ensino superior

A cada R$ 1 doado por pessoas físicas e jurídicas, o fundo Alas investe mais R$ 2, triplicando os valores recebidos. A expectativa é mobilizar mais de R$ 1 milhão em recursos
Estudantes negros no 1º Encontro Nacional Afrocientista, que acontece na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB).

Estudantes negros no 1º Encontro Nacional Afrocientista, que acontece na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB).

— Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil

10 de maio de 2026

Embora as pessoas negras (pretas e pardas) correspondam a 55,5% da população brasileira, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa população ainda tem menos acesso e condições de permanência no ensino superior.

Segundo o Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais ( CEDRA), entre 2012 e 2023 pessoas brancas de 40 a 49 anos apresentavam mais que o dobro do percentual de negros com Ensino Superior completo. Ainda que a população brasileira seja majoritária, apenas 31,8% dos cargos gerenciais eram ocupados por elas até 2023. Além disso, são as mulheres negras que encontram mais entraves para o emprego: a taxa de desocupação neste grupo, entre 2012 e 2023 foi de 14,9%, enquanto a de brancos foi de 7%.

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Neste contexto, a Fundação Tide Setubal, por meio da Plataforma Alas, lança uma nova rodada de financiamento coletivo voltada à ampliação do acesso e da permanência de estudantes negros no ensino superior, além de oportunidades de formação continuada com mestrado profissional e cursos de idiomas. A campanha, que segue até 12 de junho, conta com apoio financeiro da própria fundação, do Movimento Bem Maior e da Imaginable Futures.

A iniciativa ocorre por meio da plataforma de matchfunding: a cada R$ 1 doado por pessoas físicas ou jurídicas, o Fundo Alas investe mais R$ 2, triplicando o valor arrecadado. As doações podem ser feitas neste link.

Leia mais: Acesso de negros ao ensino superior quintuplica, mas ainda é metade do de brancos, diz IBGE

As instituições participantes apresentam os seguintes objetivos em cada campanha: o projeto Mundo Sem Fronteiras visa a oferecer mais de 120 bolsas de curso idiomas e duas bolsas bolsas de intercâmbio, promover a inclusão social e educacional dos estudantes negros, preparar os alunos para o mercado de trabalho e possibilitar novas vivências, além de fomentar a diversidade e a equidade no ambiente acadêmico.

Já a Escola da Cidade – Programa Encruzilhada tem tem como objetivo oferecer duas bolsas integrais por um ano (garantindo permanência e dedicação ao curso), além de 16 viagens pedagógicas (oito no Brasil e oito na América do Sul), ampliando horizontes e fortalecendo redes de intercâmbio.

O projeto Alas para o Futuro – Geração Nota Mil quer garantir a manutenção de bolsistas negras e negros, que hoje correspondem a 33% do grupo (mais de 120 estudantes). Além disso, haverá um encontro de gerações e aprendizado entre a comunidade alumni bolsista e os estudantes atuais para o apoio do desenvolvimento profissional dessas jovens lideranças na escola.

Por sua vez, o Instituto Semear pretende viabilizar 20 bolsas-auxílio para estudantes que já conquistaram o acesso à universidade, mas precisam de apoio para permanecer.

“As desigualdades no ensino superior não se limitam ao acesso — elas se aprofundam na permanência. Muitos estudantes negros conseguem ingressar, mas enfrentam barreiras financeiras e estruturais que dificultam a continuidade dos estudos. Com esta campanha, queremos ampliar as condições para que esses jovens não apenas entrem na universidade, mas concluam suas trajetórias com qualidade e novas perspectivas de futuro”, afirma Viviane Soranso, coordenadora do Programa Lideranças Negras e Oportunidades de Acesso da Fundação Tide Setubal.

Leia mais: UFMG investiga efeitos das cotas raciais no ensino superior federal em pesquisa nacional

Na última edição, realizada em 2025, foram mobilizados R$ 1.112.907,00 para apoiar os estudos de estudantes negros. A expectativa para este ano é mobilizar novamente mais de R$ 1,1 milhão em recursos.

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