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Meninas negras são 56% das vítimas de violência sexual de 0 a 17 anos, diz estudo

De acordo com Mapa Nacional da Violência de Gênero, mais de 308 mil jovens de até 17 anos foram vítimas de violência sexual entre 2011 e 2024
Ato contra o feminicídio, em frente à Câmara Municipal, no Rio de Janeiro, em 8 de março de 2023.

Ato contra o feminicídio, em frente à Câmara Municipal, no Rio de Janeiro, em 8 de março de 2023.

— Reprodução/Tânia Rego/Agência Brasil

19 de maio de 2026

Um levantamento do Observatório da Mulher Contra a Violência (OMV), do Senado Federal, indica que meninas e adolescentes negras de 0 a 17 anos são a maioria das vítimas de violência sexual nesta faixa etária, representando 56,47% dos casos registrados entre 2011 e 2024.

Os dados, divulgados nesta segunda-feira (18), Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, integram o Mapa Nacional da Violência de Gênero, uma parceria com o Instituto Natura e a associação Gênero e Número. 

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O estudo evidencia que, ao longo do período histórico da pesquisa, mais de 308 mil meninas de até 17 anos foram vítimas deste tipo de violência, com uma média de 64 ocorrências por dia. Os dados são do Ministério da Saúde. 

Leia mais: Brasil tem 11 milhões de mulheres vítimas de violência doméstica

Segundo o levantamento, somente em 2024 foram registrados 45.435 casos, dos quais 52,3% foram cometidos contra meninas negras. A entidade destaca que, no primeiro trimestre de 2025, a média diária nacional de estupros foi de 187. Do total, 47 vítimas tinham de zero a 17 anos de idade.

A estimativa sobre a violência sexual diária contra menores de idade, aponta a pesquisa, é baseada no cruzamento de dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), plataforma que reúne informações da Base Nacional de Boletins de Ocorrência (BNBO).  

Ainda de acordo com o Observatório, os agressores tinham vínculo familiar com a vítima em cerca de um terço dos casos. Quatro em cada dez casos ocorreram dentro da própria casa da vítima. 

Porém, apesar dos números expressivos, apenas 2.776 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes foram documentados em boletim de ocorrência.

Para a diretora executiva da associação Gênero e Número, Vitória Régia da Silva, entidade que integra o estudo, os índices de casos oficialmente denunciados revelam um alto grau de subnotificação. 

Leia mais: Mulheres negras são alvo de violência digital indiscriminada, independente de cargo ou idade

“A violência de gênero, incluindo a violência sexual, ainda é profundamente subnotificada. Por isso, é difícil chegar a um número que demonstre a realidade do país. Além disso, o Brasil ainda enfrenta desafios relacionados à qualidade, integração e padronização das bases de dados públicas, que seguem fragmentadas e descentralizadas”, afirma Vitória Régia da Silva, em nota à imprensa.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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