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O que foi a Batalha de Vertières, símbolo da camisa do Haiti censurada pela FIFA

Confronto de 1803 garantiu a derrota das tropas francesas, abriu caminho para a independência do Haiti e inspirou o uniforme barrado por entidade futebolística às vésperas da Copa do Mundo
O meio-campista haitiano Dominique Simon veste a camisa da seleção do Haiti, vetada pela FIFA na Copa do Mundo.

O meio-campista haitiano Dominique Simon veste a camisa da seleção do Haiti, vetada pela FIFA na Copa do Mundo.

— AP Photo/Rebecca Blackwell

11 de junho de 2026

A Federação Internacional de Futebol (FIFA) pediu para a seleção do Haiti alterar a camisa para a Copa do Mundo de 2026. O uniforme original homenageava homens e mulheres que participaram do processo de independência do país. A informação chegou ao público na terça-feira (9) por meio da Saeta, empresa responsável pelo desenho.

Em comunicado, a organização afirmou que o projeto surgiu em parceria com a Federação Haitiana de Futebol. O objetivo, segundo a empresa, era celebrar o orgulho, a resiliência e o espírito do povo haitiano. A Saeta também declarou que o design final não tinha a intenção de representar uma declaração política.

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A FIFA, no entanto, considerou o desenho como político. A entidade argumentou que a arte violava o regulamento de equipamentos. Sob as regras da organização, os uniformes não podem conter “palavras, imagens, declarações ou referências a mensagens políticas, religiosas ou discriminatórias”.

O símbolo vetado retratava a Batalha de Vertières, confronto decisivo de 1803 que abriu caminho para a independência haitiana da França. A cena mostrava soldados erguendo a bandeira do país.

Leia mais: FIFA censura uniforme da seleção do Haiti que homenageia independência do país

A batalha que selou a independência do Haiti

Em 18 de novembro de 1803, os haitianos derrotaram as tropas de Napoleão na Batalha de Vertières. A vitória militar consolidou a Revolução Haitiana. Ela abriu caminho para o Haiti se tornar a primeira república negra independente do mundo em 1º de janeiro de 1804.

A batalha representou a última resistência das forças coloniais francesas. Os franceses ocuparam a colônia de Saint-Domingue por mais de um século.

Jean-Jacques Dessalines, ex-general de Toussaint Louverture, liderou os revolucionários haitianos. Eles lançaram um ataque decisivo ao Forte Vertières, perto de Cap-Français (hoje Cap-Haïtien). 

O exército revolucionário era composto majoritariamente por pessoas escravizadas.

O ataque produziu um momento registrado pela história. François Capois liderou uma carga sob fogo cerrado. Seu cavalo caiu. Seu chapéu voou. Ele continuou avançando com a espada erguida. O general francês Donatien Rochambeau ordenou um cessar-fogo temporário para saudar a bravura de Capois.

No final da tarde, as forças de Dessalines dominaram as linhas francesas. Rochambeau pediu um armistício. Dessalines recusou e exigiu a rendição incondicional. Derrotado e sob bloqueio naval britânico, Rochambeau capitulou. A retirada francesa do Haiti se completou em semanas.

Em 1º de janeiro de 1804, Dessalines declarou o Haiti uma nação independente. O país emergiu da única revolta de escravizados bem-sucedida da história. Tornou-se a primeira república liderada por negros no mundo moderno.

Consequências globais da revolução

A Batalha de Vertières teve consequências que ultrapassaram as fronteiras do Haiti e, apesar de sua escala e simbolismo, Vertières permaneceu por muito tempo negligenciada pelos historiadores franceses. 

Em “O Grito de Vertières”, o historiador Jean-Pierre Le Glaunec descreve como a batalha foi silenciada na memória nacional da França. O silêncio ocorreu, em parte, para evitar o enfrentamento de uma derrota colonial nas mãos de um exército negro.

No Haiti, a memória de Vertières também demorou para se institucionalizar. A data só ganhou proeminência no século XX, por meio de celebrações do centenário e esforços do Estado para promover o orgulho nacional.

Hoje, 18 de novembro é celebrado no Haiti como o Dia das Forças Armadas. A data homenageia os soldados que lutaram não apenas pela soberania nacional, mas por uma visão duradoura da liberdade negra.

Leia mais: Independência do Haiti completa 222 anos como marco de luta contra o racismo e o colonialismo

Texto com informações do The Haiti Times.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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