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Brics anuncia 6 novos membros e amplia presença na África com Egito e Etiópia

Adesão dos novos países está sujeita ao atendimento de critérios a serem anunciados

Texto: Solon Neto | Imagem: Marco Longari / AFP

 
Da esquerda para a direita, os presidentes da China, Xi Jinping; do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; da África do Sul, Ciryl Ramaphosa; e o premiê da Índia, Narendra Modi (Foto: Marco Longari / AFP)

Foto: Da esquerda para a direita, os presidentes da China, Xi Jinping; do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; da África do Sul, Ciryl Ramaphosa; e o premiê da Índia, Narendra Modi (Foto: Marco Longari / AFP)

24 de agosto de 2023

Nesta quinta-feira (24), o Brics anunciou que a partir do próximo ano, além de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o agrupamento terá também Argentina, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã. Os novos membros terão que cumprir requisitos, entre eles o apoio à reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

O anúncio foi realizado em uma conferência de imprensa com a presença dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT); da África do Sul, Ciryl Ramaphosa; e da China, Xi Jinping; além do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. O presidente russo, Vladimir Putin, fez uma fala virtual no evento e foi representado pelo chanceler russo, Sergei Lavrov. Putin não viajou à África do Sul devido a um pedido de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra na Ucrânia.

A 15ª cúpula do grupo ocorre na cidade sul-africana de Joanesburgo. Essa foi a primeira vez que o grupo incluiu novos membros desde 2010, quando a África do Sul passou a integrar o Brics.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), comemorou a entrada de novos membros e apontou que, a partir da inclusão dos seis países, o Brics passa a representar 46% da população mundial e 36% do PIB global em termos de paridade de compra.

“Nossa diversidade fortalece a luta por uma nova ordem, que acomode a pluralidade econômica, geográfica e política do século XXI”, disse Lula em uma declaração após o anúncio da entrada dos novos membros. “O Brics continuará sendo força motriz de uma ordem mundial mais justa e ator indispensável na promoção da paz, do multilateralismo e na defesa do direito internacional. Promoveremos a superação de todas as formas de desigualdade e discriminação. O Brics dá as boas-vindas aos novos membros neste importante compromisso”, acrescentou em publicação em uma rede social.

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, usou as redes sociais para saudar o que chamou de “grande momento”. Desde ontem (23), já circulava a informação que uma expansão seria anunciada, mas o nome do país africano não era citado.

“É um grande momento para a Etiópia o apoio dos líderes do grupo à sua entrada hoje. A Etiópia está pronta para cooperar com todos para uma ordem global próspera”, disse Ahmed em uma publicação.

Segundo estimativas da ONU, Etiópia e Egito estão em segundo e terceiro lugar entre os países com mais habitantes na África — 126 milhões e 112 milhões de pessoas, respectivamente. Ambos são os Estados mais populosos entre os seis novos membros anunciados.

Em termos de Produto Interno Bruto (PIB), a economia do Egito é hoje a segunda maior da África — atrás apenas da Nigéria, conforme dados do Banco Mundial. Já a Etiópia tem se destacado por um crescimento rápido em termos econômicos, figurando hoje como a 6ª economia do continente.

Com o anúncio da expansão, a expectativa é de que o grupo continue sendo ampliado no futuro, uma vez que dezenas de países já fizeram pedidos oficiais de adesão — incluindo Nigéria e Senegal. Outros países africanos como Argélia, Camarões, Gabão e República Democrática do Congo também já manifestaram interesse na adesão. 

Em discurso na segunda-feira (21), durante evento empresarial no encontro dos Brics, Lula ressaltou o interesse do Brasil na parceria com países africanos e salientou o potencial econômico da região. O presidente brasileiro tem enfatizado a intenção de ampliar laços diplomáticos e comerciais com países africanos.

Além da expansão, os membros também anunciaram a criação de um grupo de trabalho para a criação de uma moeda de referência para o comércio entre os países do Brics. O tema já vinha sendo tratado pelos chefes de Estado do agrupamento e tem como objetivo fazer frente ao dólar nas transações comerciais internacionais.

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