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Francia propõe fundo entre Brasil e Colômbia para enfrentar desmatamento na Amazônia

Vice-presidenta da Colômbia sinalizou a importância dos países desenvolvidos, maiores emissores de gases estufa, executarem uma transição energética para fontes não poluentes

Imagem: Pedro Borges/Alma Preta Jornalismo

Foto: Imagem: Pedro Borges/Alma Preta Jornalismo

10 de novembro de 2022

Francia Márquez, vice-presidenta da Colômbia, afirmou o desejo de construir um fundo bi-nacional entre Brasil e Colômbia para frear o desmatamento na Amazônia. Ela participa, junto do presidente Gustavo Petro, da COP27, no Egito, e tem sinalizado o desejo de construir parcerias com o Brasil.

“Estou contente com a vitória de Lula e estamos com toda a disposição para trabalhar com ele para proteger a Amazônia. Já havíamos discutido neste espaço de como se construir um fundo binacional Brasil-Colômbia para proteger a Amazônia”.

A proposta deve ser discutida com Marina Silva, ex-Ministra do Meio Ambiente, durante a COP27. As duas tiveram reunião durante o evento, no espaço da sociedade civil brasileira, e discutiram a viabilidade da proposta para ser colocada em prática durante a gestão Lula. 

Francia Márquez demonstrou admiração à Marina Silva e sinalizou que se reconhece, enquanto mulher negra, na ambientalista brasileira. A vice-presidenta da Colômbia é do departamento de Cauca, da região do Pacífico, onde há grande concentração de pessoas negras, e tem uma trajetória marcada pela luta contra a extração de minérios da região e em defesa dos recursos naturais. 

“Marina Silva é uma lutadora como eu, como muitas outras mulheres negras, que tem uma postura clara no sentido de defender o território amazônico”.

francia cop27 2Francia Márquez ao lado de integrantes da delegação brasileira na COP27 | Imagem: Pedro Borges/Alma Preta Jornalismo

Francia Márquez tem participado de agendas com lideranças jovens do país, ambientalistas e chefes de Estado para construir parcerias, em especial com as nações da América Latina, Caribe e África.

“Eu acho que seria o ideal, que América Latina, África e o Caribe estivessem juntos, Sul-Sul, trabalhando em bloco e demandando em bloco. É certo que não são essas regiões as maiores emissoras, mas somos os países que estão sofrendo as maiores consequências, então temos uma responsabilidade. Na Colômbia estamos tentando fazer uma mudança de uma economia extrativista para uma economia sustentável”.

Aproximação com países da América Latina é uma oportunidade para o desenvolvimento de políticas de reparação para os grupos historicamente marginalizados. Durante as atividades em que participou na COP, Francia Márquez apontou para a importância de se discutir justiça climática a partir dos marcadores de raça e gênero.

“Eu quero liderar uma política de reparações históricas na América Latina, Caribe, em articulação com África, porque falar de reparação histórica aqui é falar de racismo ambiental, de colonialismo, porque somos os mesmos países colonizados, empobrecidos, racializados, discriminados, que hoje estamos sofrendo os maiores efeitos climáticos”.

As discussões na COP27, depois da finalização do Acordo de Paris na edição passada, estão focadas na execução do plano. A agenda prioritária dos países do Sul global é a de garantir o repasse de U$ 100 bilhões dos países do Norte para as nações do Sul, para que sejam desenvolvidas ações de mitigação dos danos existentes das mudanças climáticas e adaptações, como da matriz energética, desses países.

Francia acredita que os países do Norte, para além do pagamento das demandas dos estados do Sul, devem mudar a matriz energética e diminuir a emissão de gases estufa. 

“Se querem salvar este planeta, tem que se comprometer em fazer a transição energética nos seus países. É necessário a descarbonização das economias e começar esse processo é o jeito de mudar o rumo a que estamos levando o planeta, para a extinção. Temos pouco tempo e esperamos, o povo, os jovens, crianças, que aqui se tomem decisões verdadeiras e reais”.

Leia também: ‘Brasileiros tomarão a decisão certa: o lado da vida’, diz Francia Márquez

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