PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Jovens africanos aumentam pressão sobre museus por artes saqueadas

Movimentos liderados por uma nova geração exigem que museus ocidentais devolvam itens culturais roubados durante a era colonial
A imagem mostra um artefato de bronze do Benin, parte de algumas das milhares de placas, esculturas e objetos de metal dos séculos 16 a 18 que foram saqueados do antigo Reino do Benin e acabaram em museus e coleções de arte nos EUA e na Europa. Jovens africanos pressionam museus europeus para que devolvam artefatos saqueados durante a era colonial.

A imagem mostra um artefato de bronze do Benin, parte de algumas das milhares de placas, esculturas e objetos de metal dos séculos 16 a 18 que foram saqueados do antigo Reino do Benin e acabaram em museus e coleções de arte nos EUA e na Europa. Jovens africanos pressionam museus europeus para que devolvam artefatos saqueados durante a era colonial.

— Kola Sulaimon/AFP

27 de janeiro de 2025

Uma nova geração de jovens africanos ampliou a pressão sobre museus ocidentais para a devolução de artefatos saqueados durante o colonialismo, afirmou Ernesto Ottone, diretor-geral adjunto da UNESCO, em entrevista à Agence France-Presse (AFP), nesta segunda-feira (22). Segundo ele, o aumento das demandas reflete uma mudança significativa de atitude e consciência sobre o tema.

“Nos últimos cinco ou seis anos, temos visto pressão nas ruas”, destacou Ottone, que também foi ministro da Cultura no Chile, durante uma conferência da UNESCO em Addis Abeba, na Etiópia, sobre a restituição de obras de arte ao continente africano.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Embora países europeus tenham iniciado esforços de devolução, Ottone enfatizou que o processo é “complexo” e depende das legislações de cada nação. Ele citou iniciativas de universidades, museus e autoridades, mas alertou para os desafios ainda enfrentados.

Devoluções esporádicas e barreiras legislativas

Em 2017, o presidente francês Emmanuel Macron prometeu devolver o “patrimônio africano à África”, o que resultou na restituição de 26 itens ao Benin em 2021. Contudo, desde então, o progresso foi limitado. Devoluções adicionais aos países africanos exigem leis específicas para a remoção de itens das coleções públicas, dificultando o processo.

Em vez de devoluções definitivas, a França tem oferecido empréstimos temporários, como o caso do tambor Djidji Ayokwe, confiscado pela França em 1916, e da coroa de Ranavalona III, última soberana de Madagascar, que retornou ao país de origem apenas como empréstimo.

No Reino Unido, a disputa é ainda mais acirrada. Museus britânicos enfrentam crescentes reivindicações por itens como os bronzes de Benin, esculturas sagradas retiradas da Nigéria em 1897, mas permanecem resistentes à devolução. Uma lei britânica de 1963 impede que o British Museum retire itens de sua coleção permanente. Críticos argumentam que a restituição poderia desencadear uma série de pedidos que “esvaziariam os museus do país”.

Pressão global e a mudança de narrativa

De acordo com o relatório Savoy-Sarr, de 2018, apenas na França, cerca de 90 mil itens de origem subsaariana estão armazenados em museus. Para Ottone, o crescente engajamento da nova geração, especialmente de jovens que visitam museus europeus com um olhar crítico, tem promovido uma “nova consciência” sobre as injustiças históricas.

A restituição de artefatos é vista como um passo crucial para a reparação histórica e cultural, mas enfrenta resistência institucional e burocrática. Enquanto países como Grécia e Nigéria continuam pressionando pelo retorno de itens icônicos, como os mármores do Partenon e os bronzes de Benin, o debate sobre o papel dos museus ocidentais em preservar patrimônios de outras culturas ganha intensidade.


Para os defensores da restituição, a devolução dos artefatos saqueados é uma questão de justiça histórica e respeito às culturas que foram saqueadas, enquanto opositores temem uma reconfiguração drástica das coleções de museus e uma revisão generalizada do colonialismo cultural.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano