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Refugiados em Goma, no Congo, enfrentam fome e doenças após ordem de evacuação

Milhares deixam campos de deslocados na República Democrática do Congo e retornam a áreas sem estrutura médica e alimentos
Uma mãe e o seu bebé numa consulta de saúde no território de Masisi, nas proximidades de Goma, cidade da República Democrática do Congo, 12 de fevereiro de 2025.

Uma mãe e o seu bebé numa consulta de saúde no território de Masisi, nas proximidades de Goma, cidade da República Democrática do Congo, 12 de fevereiro de 2025.

— Daniel Buuma/MSF

28 de fevereiro de 2025

A ofensiva do grupo armado M23 na República Democrática do Congo (RDC) forçou centenas de milhares de pessoas a abandonarem os campos de deslocados ao redor de Goma, na província de Kivu do Norte. Com a tomada da cidade pelo M23 no final de janeiro, a nova administração ordenou o retorno dos deslocados às suas áreas de origem, deixando milhares sem abrigo, alimentos ou assistência médica.

Antes da ofensiva, Goma abrigava cerca de 650 mil refugiados e uma população residente de 2 milhões de pessoas. Com a intensificação dos combates, os campos começaram a esvaziar e a maioria da população deslocada seguiu para o norte e o oeste do país.

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Nas estradas, longas filas de homens, mulheres e crianças tentavam carregar o que podiam a pé, de moto ou em ônibus. Alguns relataram ter caminhado por dias sem comida ou água.

Saúde em colapso e risco de epidemias

Os deslocados encontram infraestrutura médica precária em suas cidades de origem. Muitas unidades de saúde foram abandonadas, saqueadas ou destruídas, tornando o atendimento quase inexistente. O retorno em massa de pessoas para áreas sem estrutura adequada pode facilitar a disseminação de doenças como cólera, mpox e sarampo, que já circulavam nos campos de Goma.

Equipes de emergência médicas foram deslocadas para os territórios de Nyiragongo e Masisi para fornecer equipamentos, medicamentos e atendimento gratuito em clínicas móveis.

Em Sake, a 25 km de Goma, um centro de saúde foi restaurado após sofrer danos durante os combates. O local atende cerca de 200 pacientes por dia, com diagnósticos predominantes de infecções respiratórias, doenças diarreicas e violência sexual. A unidade também possui um centro de tratamento de cólera que recebe 20 pacientes diariamente.

Fome e falta de assistência

Além da falta de atendimento médico, a escassez de alimentos ameaça a população. Muitos dos que voltaram não possuem recursos para comprar comida ou ferramentas para cultivar.

“Passei dois anos no campo de Bulengo. Voltei para Kabati há uma semana e a situação é difícil. Não há comida suficiente, e muitas pessoas estão doentes”, afirma Bigirimana, um dos deslocados que retornaram.

A insegurança alimentar se soma ao risco de epidemias. Para conter o agravamento da crise, foram restabelecidas unidades de nutrição terapêutica, mas a assistência ainda é insuficiente.


“Há poucas organizações atuando nas áreas de retorno. O apoio humanitário precisa ser ampliado para evitar um colapso ainda maior”, alerta Anthony Kergosien, coordenador de resposta médica na região.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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