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Relatório da ONU evidencia violência e altos índices de morte no Haiti

O país vive uma crise política e civil, além de confrontos armados entre gangues e militares
A imagem mostra Pessoas passando por corpos queimados e por um policial armado monitorando uma rua após violência de gangues no bairro na noite de 21 de março de 2024, em Porto Príncipe, Haiti, 22 de março de 2024.

Foto: Clarens Siffroy/AFP

29 de março de 2024

Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado na quinta-feira (28), aponta que gangues e grupos paramilitares do Haiti são responsáveis por cerca de 1.554 mortes nos primeiros três meses do ano. Desde o assassinato do então presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021, o país vive uma crescente crise na política e na segurança pública.

De acordo com o relatório, o alto número de mortes acontece por linchamento, denominado como “brigadas de autodefesa”. Invasões à delegacia de polícia e ao aeroporto internacional também fizeram parte da onda de ataques no país. 

Segundo a ONU, “a corrupção, a impunidade e a má governança, agravadas pelos níveis crescentes de violência, levam as instituições do país à beira do colapso”.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou que “combater a insegurança deve ser uma prioridade máxima para proteger a população e prevenir mais sofrimento humano”

Pelo menos 1.436 pessoas sem envolvimento com gangues foram afetadas, sendo que 686 foram mortas, 371 feridas e 379 sequestradas entre janeiro e fevereiro de 2024.

O documento aponta que os assassinatos acontecem devido ao suposto apoio de civis à polícia ou a gangues rivais, ou em ruas que têm constantes conflitos e tiroteios. Em um caso, a vítima foi um bebê, atingido por um atirador de elite. O relatório destaca ainda que os grupos têm utilizado a violência sexual para castigar e controlar a população.

Desde o início do mês de março, a situação do Haiti ficou ainda mais violenta quando gangues se aliaram para atacar locais estratégicos da capital Porto Príncipe, exigindo a renúncia do então primeiro-ministro, Ariel Henry, que assumiu o cargo duas semanas após a morte de Moïse.

A crise política do país foi agravada depois que a Procuradoria-Geral haitiana denunciou Henry por participar do assassinato de Moïse. O então governante demitiu o autor da denúncia e adiou indefinidamente as eleições. Ele deixou o cargo em 11 de março.

  • Patricia Santos

    Jornalista, poeta, fotógrafa e vídeomaker. Moradora do Jardim São Luis, zona sul de São Paulo, apaixonada por conversas sobre territórios, arte periférica e séries investigativas.

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