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Seleções africanas disputam Copa com técnicos locais pela primeira vez em 92 anos

Os cinco países africanos que disputam a Copa do Mundo de 2022, ao contrário dos anos anteriores, apostam em treinadores nacionais; em 2018, apenas o senegalês Aliou Cissé e o tunisiano Nabil Maâloul eram locais

Colagem: Vinícius de Araújo/Alma Preta

Foto: Colagem: Vinícius de Araújo/Alma Preta

22 de novembro de 2022

Em meio às críticas provocadas pela falta de inclusão, violação aos Direitos Humanos e o recente caso de LGBTfobia com relação às braçadeiras “One Love” (um amor) proibidas pela Fifa, a Copa do Mundo de 2022, no Catar, marca uma fase histórica para os cinco países africanos que disputam a competição. Pela primeira vez no Mundial, todas as Seleções serão comandadas por técnicos do próprio continente. Na edição passada, em 2018, apenas Senegal e Tunísia eram comandadas por técnicos locais.

Aliou Cissé (Senegal), Jalel Kadri (Tunísia), Walid Regragui (Marrocos), Rigobert Song (Camarões) e Otto Addo (Gana) são os cinco treinadores que rompem o padrão vivido durante esses 92 anos de Copa do Mundo. Cabe lembrar que a primeira edição do mundial aconteceu em 1930, mas não contou com nenhum país da África na disputa. Isso só veio a acontecer quatro anos depois na Itália, em 1934, quando o Egito tentou o título.

As Seleções Africanas que disputavam a Copa do Mundo apostavam tradicionalmente em treinadores europeus. No entanto, o resultado das equipes não foi tão satisfatório ao longo desses anos: até o momento, nenhum time do continente conseguiu chegar às semifinais do mundial. Na última edição do torneio na Rússia, em 2018, por exemplo, o efeito foi ainda mais crítico porque nenhuma seleção conseguiu avançar na fase de grupos, a primeira etapa do campeonato.

Os talentos da casa agora são as grandes apostas das Seleções Africanas para brigar pelo título de Melhor do Mundo em 2022. Com exceção de Jalel Kadri, treinador da Tunísia, todos os outros técnicos são ex-jogadores. O país, aliás, teve sua estreia na Copa do Mundo do Catar nesta terça-feira (22), quando empatou em 0 a 0 com a Dinamarca.

Aliou Cissé (Senegal)

Aliou Cissé fez sua estreia na Copa do Mundo da Coreia do Sul e do Japão, em 2002, quando ainda era jogador da Seleção Senegalesa. O ex-atleta jogou duas edições da Copa Africana de Nações e desenvolveu sua carreira na França e na Inglaterra, passando por clubes como Paris Saint-Germain-FRA e Birmingham City-ING. O profissional deixou os gramados no ano de 2009, quando jogava pelo Nîmes-FRA.

Em 2013, estreou como técnico da equipe sub-23 do Senegal. Em 2015, Aliou Cissé assumiu a equipe principal do país, conquistando o título inédito do Campeonato Africano das Nações em 2021. Na Copa do Mundo do Catar, o treinador teve sua estreia nessa segunda-feira (21) contra a Holanda em um jogo em que terminou derrotado por 2 a 0. Nos próximos jogos, a Seleção Senegalesa enfrenta outros times do Grupo A: o anfitrião Catar e o Equador.

Jalel Kadri (Tunísia)

Jalel Kadri possui diversas passagens como treinador em alguns clubes locais da Tunísia, como AS Djerba, AS Kasserine, AS Gabès e US Monastir. Em 2013, ingressou na Seleção Tunisiana como assistente do técnico Nabil Maâloul até outubro daquele ano. Depois de uma longa temporada fora, voltou a ser pela segunda vez assistente técnico da Seleção, que na época era comandada por Mondher Kebaier, demitido após ser eliminado da Copa Africana no início deste ano.

De lá para cá, Jalel Kadri conseguiu a classificação da Tunísia para a Copa do Mundo do Catar e, antes de ser derrotado pelo Brasil em amistoso, em setembro, não tinha acumulado nenhuma derrota. Além da Dinamarca, a Seleção Tunisiana enfrentará ainda França e Austrália.

Walid Regragui (Marrocos)

Apesar de ter nascido na França, Walid Regragui foi lateral-direito da seleção marroquina. O técnico foi recém-contratado, em substituição ao bósnio Vahid Halilhodžić. Apesar de iniciante na carreira como treinador, ele já tem um bom destaque ao conquistar a Liga dos Campeões da CAF 2021, o mais importante torneio de futebol de clubes da África, no comando do Wydad Casablanca-MAR.

Walid Regragui estreia junto com a Seleção Marroquina nesta quarta-feira (23) contra a Croácia. Depois, o time enfrenta Bélgica e Canadá, que completam o Grupo F.

Rigobert Song (Camarões)

Adversário do Brasil no Grupo G da Copa do Mundo do Catar, Rigobert Song terá um grande desafio ao enfrentar também Sérvia e Suíça na fase de grupos da competição. Ele é ex-zagueiro de Camarões e chegou a defender o país nos Mundiais de 1994, 1998, 2002 e 2010.

Rigobert Song participou também de oito edições da Copa Africana de Nações, sendo campeão em 2000 e 2002, e de duas Copa das Confederações, em 2001 e 2003. Estreou como técnico em outubro de 2015, quando comandou durante um mês a Seleção Chadiana de Futebol. Na atual passagem pelo time de Camarões, ele só possui quatro jogos: duas empates e duas derrotas antes do início da Copa do Mundo.

Otto Addo (Gana)

Durante a estreia da Seleção Ganesa na Copa do Mundo em 2006, Otto Addo foi convocado ainda como jogador para atuar no meio-campo. Naquela edição, ele chegou a defender o país na competição em dois jogos. Iniciou a carreira como atleta em 1992, antes mesmo de completar 17 anos.

Antes de se aposentar, em 2008, devido à lesões, Otto Addo passou por diversos clubes da Alemanha, como Hannover 96, Borussia Dortmund, Mainz 05 e Hamburgo.

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