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Em área de conflito no Maranhão, quilombolas têm casa queimada

Apesar de ser certificado pela Fundação Palmares, território é alvo de disputa agrária desde 2014, quando uma pessoa passou a reivindicar parte da terra

Texto: Pedro Borges I Edição: Nataly SImões I Imagem: Reprodução

Imagem mostra casa de quilombo no Maranhão queimada.

Foto: Foto: Reprodução

14 de setembro de 2023

O Quilombo do Guarimã, localizado no município de São Benedito do Rio Preto, Maranhão, teve a quarta casa queimada em quase dez anos. O último ataque a moradias quilombolas ocorreu na terça-feira (12), quando a residência de uma quilombola foi incendiada.

As vítimas também perderam 12 sacas de arroz, utensílios domésticos, sacas de mandioca, entre outros produtos pessoais. O presidente da associação de moradores do quilombo, Maesol da Silva Bezerra, registrou Boletim de Ocorrência (BO) com o delegado Jesimiel da Silva.

De acordo com o BO, o fogo foi visto quando a vítima retornava da roça. O presidente da associação relatou que não havia energia elétrica na casa ou qualquer outro produto inflamável. Bezerra afirmou ter dado o testemunho pelo fato das vítimas não se encontrarem em condições para isso, por estarem abaladas, e que esse é o quarto incêndio no território desde 2014, quando se instalou um conflito agrário na região. Uma casa também foi destruída com o uso de tratores.

Apesar de ser um território certificado pela Fundação Cultural Palmares (FCP), os quilombolas afirmam haver uma disputa de terra, com a existência de uma pessoa que tem exigido parte do território quilombola.

“Todo mundo apreensivo, sentido a dor da família por ter perdido tudo e com medo de que possa acontecer novamente”, relatou um quilombola para a Alma Preta.

O presidente da associação de moradores ressaltou que a disputa também tem prejudicado o meio ambiente, com a poluição da nascente de rios e o desmatamento. Imagens de moradores mostram rios poluídos e áreas desmatadas, com reclamações sobre a ausência de medidas tomadas pelo poder público.

A reportagem pediu um posicionamento para a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão. Até a publicação desta reportagem, nenhum posicionamento foi enviado. A TV e Rádio Quilombo Rampa, grupo especializado na cobertura quilombola no Maranhão, acompanha o caso.  Caso o órgão vinculado ao governo do estado se manifeste, o texto será atualizado.

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