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Estudo inédito revela desafios das ONGs LGBTQIA+ para promover direitos no Brasil

Documento cita obstáculos como obtenção de recursos e ausência de um planejamento financeiro sustentável
Imagem mostra um punho erguido com uma bandeira LGBTQIA+ ao fundo.

Foto: Freepik

26 de maio de 2024

Uma pesquisa inédita realizada pelo Projeto Pajubá, iniciativa das Organizações em Defesa dos Direitos e Bens Comuns (Abong) mostrou os desafios enfrentados por ONGs LGBTQIA+ ao promover a igualdade e defesa dos direitos dessa população no Brasil. 

O estudo feito em parceria com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT) ouviu quase 90 organizações da sociedade civil de todas as regiões do país para coletar depoimentos e dados que serão apresentados na quarta-feira (29) no Sesc 24 de Maio, em São Paulo.

Os resultados expõem a vitalidade do ativismo dessas organizações, mas também alertam sobre a falta de apoio financeiro para sua atuação, o que gera insegurança sobre a continuidade das atividades e a capacidade de expandir o alcance e o impacto de suas missões. 

“Muitas vezes, as iniciativas são feitas por conta própria, com autofinanciamento e sacrifício da saúde mental e dos recursos das próprias militantes”, diz o relatório.

Além da dificuldade de obter recursos no curto prazo, as organizações relataram a necessidade de lidar com a ausência de um planejamento financeiro sustentável no longo prazo, uma vez que a maioria delas não dispõe de profissionais para captação de recursos, experiência para concorrer a editais nem mantêm a governança exigida pelos editais públicos. 

A atuação informal e a dependência constante do engajamento voluntário agravam ainda mais esse cenário. Segundo a pesquisa, a maioria desses coletivos são instituições fundadas a partir de 2000, comprovando a dificuldade das organizações LGBT+ em sobreviver por muito tempo.

O estudo destaca ainda a urgência na formação de novos líderes e na renovação de quadros, dada a lacuna geracional entre os ativistas tradicionais e os novos coletivos. “É preciso integrar a inovação trazida pelos novos membros com a memória e o aprendizado das lutas passadas”, diz trecho do documento.

As desigualdades inter-regionais e intrarregionais também foram citadas no estudo. Segundo as ONGs entrevistadas, cidades mais urbanizadas têm maior acesso a recursos e políticas públicas, enquanto contextos interioranos lutam para se fazer ouvir. 

Outra complexidade revelada pelo diagnóstico está nas diferentes realidades entre organizações formadas por pessoas LGBTQIA+ negras, indígenas, PCDs e trans. Coletivos com mulheres negras, lésbicas, bi e transexuais tendem a receber menos visibilidade e apoio do que ONGs cujos integrantes são homens, gays, bi, transexuais brancos.

Por fim, outro ponto abordado pelo Projeto Tajubá foi o impacto da Covid-19 na comunidade LGBTQIA+. “Ainda que muitas instituições tenham sofrido com os processos para financiamento das ações naquele momento, elas aprenderam com a pandemia uma nova forma de articulação por meio virtual. As conexões usando plataformas digitais permitiram troca de experiências entre as lideranças de diferentes localidades, como prova de resiliência das entidades”, conclui o texto.

  • Mariane Barbosa

    Curiosa por vocação, é movida pela paixão por música, fotografia e diferentes culturas. Já trabalhou com esporte, tecnologia e América Latina, tema em que descobriu o poder da comunicação como ferramenta de defesa dos direitos humanos, princípio que leva em seu jornalismo antirracista e LGBTQIA+.

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