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Garimpeiros ilegais fogem de Terras Yanomami antes de operação policial

Além do garimpo ilegal, os garimpeiros são acusados de assassinar e estuprar indígenas, contaminar água com mercúrio e destruir floresta nas Terras Indígenas Yanomami

Imagem: Michael Dantas/AFP

Foto: Imagem: Michael Dantas/AFP

7 de fevereiro de 2023

O Brasil está mobilizando centenas de policiais e soldados para expulsar garimpeiros ilegais acusados de desencadear uma crise humanitária em Terras Indígenas Yanomami, onde milhares destes invasores começaram a fugir informaram autoridades nesta segunda-feira (6).

De acordo com o ministro da Justiça, Flávio Dino, as autoridades estimam que cerca de 15 mil pessoas invadiram ilegalmente esta área protegida na Amazônia, onde os indígenas acusam aos garimpeiros ilegais de ouro de assassinar e estuprar membros de sua comunidade, contaminar a água com mercúrio e provocar uma crise alimentar ao destruir a floresta.

O governo federal decretou em janeiro o estado de emergência sanitária na região diante da explosão de casos de malária, pneumonia, infecções gastrointestinais e desnutrição.

O governo afirmou que começou a mobilizar mais de 500 policiais e soldados na região para uma operação de expulsão dos garimpeiros que começará esta semana.

As autoridades esperam que, quando a polícia iniciar a expulsão à força, “pelo menos 80% dessas 15 mil pessoas já tenham deixado o território Yanomami”, disse o ministro Dino nesta segunda-feira em entrevista coletiva em Brasília.

Êxodo de garimpeiros

Entretanto, milhares de garimpeiros começaram a sair da região por conta própria, garantiu Dino, depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou na semana passada um zona de exclusão do espaço aéreo sobre a reserva, impedindo a circulação de pequenos aviões que os garimpeiros utilizam para transportar comida e suprimentos.

Dezenas deles chegaram nesta segunda-feira a um porto improvisado no município de Alto Alegre, cerca de 80 quilômetros a oeste da capital de Roraima, Boa Vista, segundo um videojornalista da AFP.

Sem querer se identificar, alguns relataram ter passado os últimos três dias navegando pela selva para sair do remoto território Yanomami, na fronteira do Brasil com a Venezuela.

Já na autoestrada, a polícia local reforçou os controles e acompanhou o deslocamento dos garimpeiros. Eles foram revistados para posse de armas ou drogas ilegais, mas detenções generalizadas não foram realizadas, apurou a AFP.

A imprensa publicou imagens de vários grupos de garimpeiros fugindo a pé ou amontoados em barcos nos últimos dias.

Dino celebrou o êxodo, assegurando que o governo prefere que os invasores se retirem pacificamente, “sem conflitos”.

“Nossa previsão é que esse fluxo de saída aumente nos próximos dias”, completou o ministro.

Porém, advertiu que isto não os deixará impunes e que “todos aqueles que cometeram crimes como genocídio, crimes ambientais, financiamento de garimpo ilegal, como lavagem de dinheiro”, serão processados.

“Emergência permanente”

Também há relatos de conflitos.

O Ministério dos Povos Indígenas afirmou nesta segunda-feira que recebeu um relatório segundo o qual garimpeiros em fuga assassinaram três indígenas que tiveram seu primeiro contato com o mundo exterior recentemente.

“É muito triste ver a forte presença de garimpeiros e uma grande destruição… as áreas de garimpo parecem infinitas, o território está todo tomado”, declarou a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, que esteve no local para coordenar a resposta humanitária.

“É uma situação de emergência permanente”, acrescentou.

De acordo com as autoridades, as equipes sanitárias continuam resgatando “entre 30 e 35” pacientes de diversas comunidades Yanomami em estado “grave” por dia.

A reserva Yanomami, localizada na fronteira com a Venezuela, é o maior território indígena do Brasil, com 96 mil km².

A polícia abriu na semana passada uma investigação por possíveis crimes de guerra contra membros da etnia Yanomami, incluído o de “genocídio”, depois que fotos de crianças gravemente desnutridas causaram impacto internacional.

Uma centena de crianças Yanomami morreram no ano passado de desnutrição, pneumonia e malária, segundo dados oficiais.

O garimpo ilegal aumentou abruptamente durante o mandato do ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro (2019-2022), um defensor da abertura das terras indígenas para essa atividade.

Durante seu governo também houve um aumento alarmante do desmatamento na Amazônia.

Leia também: Polícia investiga se houve genocídio de indígenas Yanomami

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