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Homens negros morrem 4 vezes mais por arma de fogo que os brancos, aponta estudo

Pesquisa mostra que cenário se repete em relação às mulheres negras, que morrem três vezes mais que as brancas
Imagem mostra um homem negro segurando um cartaz com os dizeres "eu também tenho cara de bandido?"

Foto: Mídia Ninja

28 de maio de 2024

Em uma década, os homens negros morreram quatro vezes mais por disparos de armas de fogo em comparação aos brancos. A informação é de um estudo realizado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e pelo Instituto Çarê. 

Segundo o levantamento, 10.764 homens negros foram mortos por disparos de armas de fogo em vias públicas em 2022, ante 2.406 homens brancos. A pesquisa analisou as taxas de internações e mortalidade por agressões entre 2012 e 2022 a partir do recorte raça e cor. 

Em janeiro de 2017, auge da série histórica para esse grupo, as taxas mensais de óbito para homens negros foram de 2.79 mortes por 100 mil habitantes, enquanto, para homens brancos, foi de apenas 0.9 óbitos. 

Em números absolutos, isso quer dizer que 1.588 homens negros morreram nesse contexto, contra 399 homens brancos. Entre 2019 e 2022, houve uma queda na mortalidade total, mas a diferença entre negros e brancos continuou evidente.

O cenário se repete para as mulheres negras. Entre 2012 e 2022 as taxas de mortalidade por disparos de arma de fogo para mulheres negras superou consideravelmente as das mulheres brancas. 

Em 2022, por exemplo, foram registradas 629 mortes de mulheres negras por essa causa, contra 207 de mulheres brancas, um número três vezes maior de mortes. 

Para Rony Coelho, pesquisador do IEPS e integrante da Catédra Çarê-IEPS, os dados reforçam as desigualdades estruturais do país, e revelam uma maior vulnerabilidade da população negra às agressões. 

“O Boletim apresenta uma dura realidade já conhecida contra a população negra, representada por desigualdades nos dados de segurança pública, saúde, mortalidade e de internações hospitalares. O que chama atenção nos dados é que a população negra não sofre somente com a violência letal, mas também é mais atingida por agressões que levam a hospitalizações. Ou seja, enfrenta a violência de forma generalizada”, afirma na publicação do estudo. 

  • Mariane Barbosa

    Curiosa por vocação, é movida pela paixão por música, fotografia e diferentes culturas. Já trabalhou com esporte, tecnologia e América Latina, tema em que descobriu o poder da comunicação como ferramenta de defesa dos direitos humanos, princípio que leva em seu jornalismo antirracista e LGBTQIA+.

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