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Ministério Público denuncia influenciadora que associou enchentes no RS a religiões afro

A influenciadora Michele Dias Abreu, de Governador Valadares (MG), disse que as enchentes "são fruto da ira de Deus"
A imagem mostra a influenciadora Michele Dias Abreu, no vídeo que associa religiões afro com as enchentes no Rio Grande do Sul.

Foto: Reprodução

21 de maio de 2024

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou a influenciadora digital Michele Dias Abreu por prática e incitação à intolerância religiosa nas redes sociais. A mulher publicou um vídeo na qual associava às enchentes no Rio Grande do Sul com o fato de o estado ser um dos que mais abrigam terreiros de religiões afro.

Na ação, a promotora de Justiça Ana Bárbara Canedo Oliveira afirma que, ao relacionar a tragédia com os povos de terreiro, Michele induziu milhares de pessoas à discriminação, ao preconceiro e à intolerância religiosa contra as religiões de matriz africana.

Como medidas cautelares, a promotora pede que a mulher fique proibida de deixar o país sem uma autorização judicial e de fazer novas publicações sobre religiões de matriz africana ou conteúdos falsos relacionados às cheias no estado. 

Em caso de condenação, a pena pode ser de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.

Entenda o caso

No dia 5 de maio, a influenciadora publicou um vídeo no qual dizia que as enchentes no Rio Grande do Sul eram resultado da “ira de Deus”, porque o estado é um dos que mais reúne terreiros.

A influenciadora afirmou também que os acontecimentos estavam sendo previstos e avisados por profetas das igrejas do estado desde o início do ano sobre “algo que iria acontecer devido à ira de Deus mesmo”.

Michele ainda disse que as pessoas estariam brincando com a fé de Deus, o que teria consequências, já que ele não divide a honra com ninguém, segundo a influenciadora, que frequentemente publica conteúdos cristãos.

Por conta da repercussão negativa do vídeo, que teve mais de 3 milhões de acessos, Michele privou seu perfil, pediu desculpas e disse ter se expressado mal, com um comentário “infeliz e desnecessário”.

  • Patricia Santos

    Jornalista, poeta, fotógrafa e vídeomaker. Moradora do Jardim São Luis, zona sul de São Paulo, apaixonada por conversas sobre territórios, arte periférica e séries investigativas.

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