A ialorixá Carmen Oliveira da Silva, conhecida como Mãe Carmen do Gantois, faleceu nesta sexta-feira (26), aos 98 anos, em Salvador. Filha mais nova de Mãe Menininha do Gantois, uma das maiores referências do candomblé no Brasil, ela estava internada havia duas semanas no Hospital Português, em decorrência de uma forte gripe, segundo o Uol. Mãe Carmen completaria 99 anos na próxima segunda-feira (29).
A morte foi confirmada por meio de nota publicada nas redes sociais do Ilé Ìyá Omi Àṣẹ Ìyámase, conhecido como terreiro do Gantois, onde atuava como liderança religiosa havia 23 anos.
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Na nota, a comunidade destacou a trajetória da ialorixá, reconhecida por fortalecer a história do candomblé na Bahia e no Brasil, e ressaltou seu legado marcado pela fé, pelo cuidado comunitário e pela preservação da ancestralidade.
“Há 23 anos à frente do Gantois, Mãe Carmen assumiu com amor, coragem e responsabilidade a condução de uma Casa que é fé, memória e identidade. Ser Ìyáloriṣa em sua presença, sempre significou cuidar, proteger, orientar e sustentar o axé com dignidade, firmeza e sabedoria, zelando pela comunidade e pela continuidade de uma tradição ancestral”, diz o comunicado.
Mãe Carmen nasceu em 1926, mas foi registrada apenas dois anos depois. Desde a infância, teve a vida dedicada ao sagrado e foi iniciada no candomblé aos sete anos de idade, para o orixá Oxaguian, associado à criação. Em 2002, assumiu a liderança do terreiro do Gantois, tornando-se a quinta ialorixá da casa fundada em 1849, em Salvador.
Ela era filha de Maria Escolástica de Conceição Nazaréa, a Mãe Menininha do Gantois, falecida em 1986, que também foi Ialorixá do terreiro, um dos mais antigos e importantes para a religião. Mãe Carmen deixa três netos e quatro bisnetos.
A ialorixá foi homenageada com a música “A Força do Gantois”, lançada em 2011 e composta pelo sambista Nelson Rufino. Em maio de 2023, recebeu a Comenda Maria Quitéria, concedida pela Câmara Municipal de Salvador a mulheres que se destacam por sua atuação em benefício da cidade ou do estado da Bahia.
Em 2010, recebeu a Medalha dos Cinco Continentes ou da Diversidade Cultural, honraria concedida pela Unesco, em reconhecimento ao trabalho de preservação das tradições e de promoção do diálogo inter-religioso.
Além da atuação religiosa, a ialorixá desenvolveu ações socioeducativas junto à comunidade do Gantois. No campo cultural, promoveu iniciativas voltadas à preservação da memória das religiões de matriz africana, além de cursos de ritmos, toques, dança e bordados tradicionais.