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Pesquisa aponta como racismo ameaça envelhecimento de pessoas negras

Estudo do Cebrap evidência que os índices de segurança, saúde, inclusão digital e finanças são melhores para pessoas brancas

Imagem mostra mesa de lançamento da pesquisa do Cebrap.

Foto: Iago Augusto/Alma Preta

21 de junho de 2023

O  Itaú Viver Mais em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) realizou o lançamento da pesquisa “Envelhecimento e Desigualdades Raciais”, que tem como objetivo identificar as desigualdades raciais que incidem no processo de envelhecimento da população. A partir dos dados, notou-se evidências do racismo: as pessoas negras são as que menos têm acesso à saúde e à inclusão digital, além de terem mais dificuldades financeiras e mais exposição a violência.

Conduzida pelos Núcleo de Pesquisa, Formação e Difusão Sobre a Temática Racial (Afrocebrap) e Núcleo de Desenvolvimento (Nudes) do Cebrap, a pesquisa foi feita através de um questionário aplicado em 2021, com amostra de 1.462 indivíduos com 50 anos ou mais em três cidades brasileiras: São Paulo, Salvador e Porto Alegre, capitais com altos índices de envelhecimento populacional.

O evento de lançamento foi dividido em três momentos. No primeiro, houve uma breve apresentação institucional. Já no segundo, aconteceu a explicação dos pesquisadores a respeito do método de pesquisa e principais resultados. Na terceira e última parte, especialistas foram convidados a comentar os principais dados e contextualizar os problemas do racismo estrutural. Durante o encontro, os temas de ancestralidade e saúde foram destacados.

De acordo com o presidente da Cebrap, Marcos Nobre, “os desafios de encaminhar soluções para os idosos não são para hoje ou amanhã, são para ontem”.

Luciana Barros, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú Unibanco, afirma que ter uma pesquisa que trabalha a questão no Brasil é muito importante. “Gerar dados sobre isso é central para o desenvolvimento do país, principalmente com o recorte de raça e gênero”, completa Luciana.

A partir do estudo, constatou-se que pessoas negras acessam 16% menos os serviços de saúde privados em relação a pessoas brancas. Enquanto 40% das mulheres brancas tiveram o último atendimento na rede privada, esse percentual é de 25% entre as mulheres negras e 18% entre os homens negros. Além de exemplificar os resultados da análise, os dados reforçam a importância do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para Alexandre da Silva, Secretário Nacional de Direitos da Pessoa Idosa (SNDPI), é necessário reforçar o SUS com urgência, pois mais de 80% dos usuários são pessoas negras. Durante o debate, o secretário ainda reforçou a importância de resgatar aspectos culturais e ancestrais da comunidade negra, que podem elevar a autoestima dessas pessoas, principalmente na faixa etária de 50 anos ou mais.

Para além dos aspectos da saúde, outros dados foram ressaltados no diálogo. Do ponto de vista da inclusão digital, pessoas negras acessam 14% menos a internet quando comparados com pessoas brancas. Entre a população negra de 50 anos ou mais, 66% das pessoas acessaram a internet, enquanto na população branca essa relação é de quatro a cada cinco pessoas (80%).

Para Ana Fontes, representante do Itaú Viver Mais, o objetivo da pesquisa é que as questões levantadas possam ter mudanças efetivas a partir das informações e dados coletados. “O envelhecimento populacional é mais amplo quando se leva em consideração o retrato real da nossa sociedade. Olhamos para essas ações porque queremos que a sociedade seja mais igualitária”, completa Ana.

Outro ponto importante comentado foi em relação à exposição à violência. De acordo com a pesquisa, os dados também mudam para os grupos raciais nas três capitais analisadas: ao longo da vida, homens negros foram ameaçados com arma de fogo 8% a mais que pessoas brancas. Entre os homens negros, 21% disseram ter sido ameaçado por arma de fogo ao longo da vida, enquanto esse percentual foi de 13% entre pessoas brancas.

Para Lúcia, a violência é um aspecto brutal e que inviabiliza a chegada da velhice. Ela comenta que a partir do momento que a pessoa alcança a velhice, ela já passou por etapas e processos complexos de violência que foram desafiadores, principalmente entre as pessoas negras. “Poucas de nós vimos nossos pais completarem 80 anos e dificilmente chegaremos nessa idade, devido aos efeitos do racismo estrutural”, completa Lúcia.

O estudo investigou 11 indicadores que compõem o envelhecimento ativo: autoestima, bem-estar, saúde: acesso e prevenção, atividades físicas, mobilidade, inclusão produtiva, inclusão digital, segurança financeira, capital social, práticas culturais e exposição à violência. Em algumas dessas dimensões, foram encontradas diferenças significativas entre o envelhecimento de pessoas brancas e negras nas três capitais analisadas.

O método também considerou a influência do gênero na situação de homens e mulheres negras em comparação com homens e mulheres brancas, além de analisar diferenças entre diferentes faixas etárias. Para acessar o conteúdo completo do material, basta acessar o link.

Leia também: Afro Memória: Projeto promove preservação da história do Movimento Negro

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