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Terreiro de umbanda é vandalizado em área rural do Pará

O muro que cerca o espaço foi derrubado e imagens do orixá Xangô e da cabocla Mariana foram depredadas
Imagem mostra o estado que ficou a imagem da cabocla Mariana, alvo de depredação.

Foto: Nucojm/Seirdh

12 de dezembro de 2023

O terreiro de umbanda Morada de Marabô, localizado na área rural do distrito de Mosqueiro, em Belém (PA), foi vandalizado no início de dezembro. Um boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia de Combate aos Crimes Discriminatórios e Homofóbicos (DCCDH) da Polícia Civil do Pará, que investiga o caso.

Durante o ataque, o muro que cerca o espaço foi derrubado e imagens do orixá Xangô e da cabocla Mariana foram depredadas. O ataque ocorreu em uma semana emblemática para os afro-religiosos no Pará, marcada pelas comemorações às orixás Iansã, celebrada no dia 4 de dezembro no sincretismo religioso com Santa Bárbara, e Iemanjá e Oxum, festejadas no dia 8 com Nossa Senhora da Conceição.

Segundo as responsáveis pelo terreiro, o prejuízo estimado está em R$ 7 mil. “Mas quem fez isso não vai nos calar. Vamos continuar mais fortes para fazer a caridade, apesar do sentimento de tristeza. Nossos afro-religiosos estão sofrendo intolerância e racismo religioso”, apela a mãe Ângela Cézar.

O terreiro Morada de Marabô existe há cerca de dez anos e fica localizado em uma área rural de Mosqueiro, às proximidades da Estrada do Caruaru. Mãe Ângela diz que a casa de umbanda nunca tinha passado por nada parecido.

“Embora a gente não more diretamente aqui, sempre estamos no espaço, para cuidar e zelar. Nada foi roubado, houve apenas a depredação das imagens”, conta.

“Nós, afro-religiosos, não somos vistos por aí quebrando, jogando sal na porta de ninguém. Somos assim, um povo pacato, que só faz o bem e a caridade”, lamenta.

Racismo religioso no Pará

Em 6 de dezembro, três dias após o ataque, uma equipe da Secretaria de Estado de Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh) esteve no local. De acordo com o gerente de Promoção da Igualdade Racial da pasta, Denilson Silva, desde que a secretaria foi criada, em abril, nove casos de racismo religioso já foram registrados no Pará.

“Já estamos compondo o Comitê Permanente de Matriz Africana do Pará, ligado ao Conselho Estadual de Segurança Pública (Consed), e os dados mostram a necessidade de imediata implementação e execução de políticas de segurança pública para esse segmento”, destaca.

Fruto da resistência e articulação dos Povos Tradicionais de Matrizes Africanas (Potma), a secretaria conta com um Plano Estadual de Políticas Públicas voltado para a temática. O objetivo do governo do estado, a partir do plano estadual, é o de assegurar o acesso a direitos e a promoção da tradição africana.

Qualquer denúncia de racismo religioso no Pará pode ser feita à Seirdh, localizada na Rua Arcipreste Manoel Teodoro, 1020, Campina, e à Delegacia de Combate aos Crimes Discriminatórios e Homofóbicos (DCCDH), da Polícia Civil, localizada na Rua Avertano Rocha, N° 417, entre Travessas São Pedro e Padre Eutíquio, na Cidade Velha, em Belém. Também é possível denunciar pelos telefones 190 (Ciop) e 181 (Disque-Denúncia) ou em qualquer Delegacia de Polícia.

  • Fernando Assunção

    Atua como repórter no Alma Preta Jornalismo e escreve sobre meio ambiente, cultura, violações a direitos humanos e comunidades tradicionais. Já atua em redações jornalísticas há mais de três anos e integrou a comunicação de festivais como Psica, Exú e Afromap.

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