A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei (PL) 4187/24 que estabelece o Dia Nacional da Axé Music. A proposta visa reconhecer o gênero, considerado um dos principais expoentes da identidade cultural brasileira.
A iniciativa busca consolidar o reconhecimento nacional do Axé Music que comemora 40 anos em 2025. O movimento cultural surgiu na Bahia, onde é considerado símbolo de resistência da música popular brasileira. A ação também tem a finalidade de valorizar os artistas, as composições e os profissionais da música na contribuição do ritmo pelo Brasil e na movimentação da economia baiana.
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A autora da proposta, deputada federal Lídice da Mata(PSB-BA), propôs o dia 17 de fevereiro para constituir a data que registra o primeiro Carnaval após o lançamento da música “Fricote”, de Luiz Caldas, considerada uma das precursoras do Axé Music.
Em novembro de 2024, a criação da data comemorativa ganhou destaque durante uma audiência pública na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados. Nessa ocasião, especialistas, parlamentares e artistas presentes citaram a importância social e histórica do estilo musical como expressão da cultura negra da Bahia e do país.
De acordo com o deputado federal Tarcísio Motta(PSOLl-RJ), a proposta reconhece a relevância política, econômica e cultural da Axé Music. “Muitas vezes, a festa é a fresta por onde as classes populares driblam as dores da vida e vivem melhor a sua própria vida”, afirmou.
O debate gerou críticas sobre a criação da data, para o deputado Eli Borges (PL-TO), muita das músicas de axé “não constroem o ser humano como essência”. O deputado ainda disse que o Congresso não deveria parar para analisar uma proposta como essa.
Origem do Axé
O gênero musical surgiu na Bahia na década de 1980, impulsionado pelo Carnaval de Salvador como resultado da mistura de ritmos como samba-reggae, samba duro, Ijexá e influências da sonoridade africana. O Axé Music também possui elementos do pop rock e de outros ritmos afro-brasileiros. O ritmo conquistou o público e se expandiu para além do povo baiano, considerado um fenômeno nacional fora da época do Carnaval.
Essa potência se popularizou através de artistas que se consolidaram na música brasileira como Luiz Caldas, Daniela Mercury, Margareth Menezes, Ivete Sangalo, Durval Lelys, Bell Marques, Carlinhos Brown, Olodum e Timbalada, que se tornaram referências do gênero. Com o tempo, o axé se reinventou incorporando novas influências e permanecendo como um dos estilos mais emblemáticos da cultura brasileira.
O projeto segue para análise no Senado Federal para aprovação. Para ser oficializado como lei, precisa passar pelo Poder Legislativo para tornar a data oficial no calendário nacional.
Com informações da Agência Câmara de Notícias