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Campeonatos nacionais de poesia e rima têm mulheres negras campeãs

Os dois campeonatos foram disputados em Minas Gerais e tiveram artistas de vários estados do Brasil
King Abraba e Kaemy vencem campeonatos nacionais de poesia e rima, que foram disputados em Minas Gerais.

Foto: Aguinaldo Ferry e Cadu Passos.

4 de dezembro de 2023

Disputados anualmente, os campeonatos Slam BR — competição de poesia falada — e o Duelo de MCs — o nacional de rima — tiveram suas respectivas finais neste fim de semana, em Minas Gerais, e tiveram duas mulheres como vencedoras.

Moradora de Itapecerica da Serra, King Abraba foi a representante de São Paulo no Slam BR. Ela foi a vencedora da disputa, que é realizada no Brasil há 15 anos e contou com 26 poetas de outros estados. Essa foi a quarta vez que a artista foi ao nacional de poesia. Apesar de ter sido finalista em todas as edições, essa foi a primeira vez que levantou o troféu.

Pela primeira vez em 11 edições, o Duelo de MCs, maior evento de Hip–Hop brasileiro, teve uma mulher como campeã. Kaemy representou o estado de Goiás e foi a única na competição contra 31 MCs homens. A artista chegou à competição pela terceira vez, derrotou MCs considerados favoritos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro e levou para casa o prêmio de R$ 30 mil.

Em duelos, as artistas mulheres precisam disputar contra o machismo e as dificuldades de serem artistas independentes e de periferia, como contou Kaemy ao final do evento, em Belo Horizonte.

“Eu sempre soube que esse momento ia chegar, mas nunca deixei nada para falar nesse momento, estou muito emocionada, feliz e realizada. Vim pela terceira vez para tentar mostrar que nós do fundão, fora do eixo, o Centro-Oeste tem rap, tem rima, tem mina e agora Goiás tem um nacional. Hoje é o dia mais feliz da minha vida”, contou a MC.

Emocionada, King enfatizou tanto nas poesias quanto no discurso de campeã a importância da família, e dedicou à mãe, Maria Inês, o título nacional de poesia.

“Ganhei mãe, eu te amo, obrigada. Ganhei novos amigos, novas experiências, novos territórios, encontrei outras pessoas e estou muito feliz. Minha mãe trabalha na cozinha e ela parou a cozinha inteira para me ouvir. Isso para mim é inexplicável, obrigada mãe, é nosso”, acrescentou a poeta, após o evento transmitido ao vivo.

  • Patricia Santos

    Jornalista, poeta, fotógrafa e vídeomaker. Moradora do Jardim São Luis, zona sul de São Paulo, apaixonada por conversas sobre territórios, arte periférica e séries investigativas.

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