O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) será tema central do desfile da escola de samba Casa do Samba Estrela Cadente, que fará sua estreia no Carnaval de São Paulo em 2026. A agremiação levará para a avenida um enredo inédito sobre a luta por moradia digna, destacando a realidade de milhares de famílias sem-teto e o papel das mulheres que lideram ocupações e mobilizações em busca de justiça social.
A Casa do Samba Estrela Cadente integra o Grupo de Acesso de Bairros 3 da União das Escolas de Samba Paulistanas (Uesp). O desfile de estreia ocorrerá no sábado, 14 de fevereiro de 2026, na Avenida Eliseu de Almeida, no Butantã, onde será a oitava escola a entrar na avenida.
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É a primeira vez que o MTST inspira um desfile no cenário do Carnaval paulistano e carioca. A escola aposta na força do samba como ferramenta de denúncia, celebração da resistência e valorização da coletividade urbana, transformando o desfile em um espaço de arte e reflexão sobre as desigualdades nas cidades.
O desfile terá como fio condutor as três palavras que sintetizam os princípios do MTST: teto, trabalho e pão. A Casa do Samba Estrela Cadente mostrará a trajetória de quem constrói lares com as próprias mãos, organiza ocupações em territórios abandonados e enfrenta a especulação imobiliária que expulsa os mais pobres das grandes cidades.
Alegorias inspiradas nas ocupações urbanas e fantasias que exaltam a força da coletividade irão compor a narrativa do desfile. A escola pretende transformar a avenida em um palco de denúncia à omissão do Estado e à lógica do mercado imobiliário que transforma as cidades em espaços excludentes.
Mais do que Carnaval: um projeto de transformação social
Criada com a proposta de ser uma plataforma de formação, cultura e transformação social, a Casa do Samba Estrela Cadente se define como uma “escola de gente”. Em seu manifesto de fundação, a agremiação defende a construção de um espaço dedicado à formação de talentos, à diversidade e à produção de enredos com propósito.
A parceria com o MTST para o desfile de estreia segue essa filosofia. Com cores turquesa e branca, a escola também aposta em práticas sustentáveis, como o reaproveitamento inteligente de materiais para a construção das alegorias.
A comissão de Carnaval é composta por profissionais com experiência no Grupo Especial e no Acesso paulistano, incluindo Judson Sales, Rapha Maslionis e Yves Alexeiv, que copresidem o projeto e somam mais de 15 anos de trajetória no Carnaval de São Paulo.