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Salgueiro leva lideranças Yanomami para desfile no Carnaval do Rio de Janeiro

Escola mostrou ao público a cultura, os costumes e os conhecimentos do povo indígena
Imagem mostra o carro alegórico da Salgueiro durante desfile em homenagem ao povo yanomami.

Foto: Mauro Pimentel / AFP

12 de fevereiro de 2024

Terceira escola a desfilar pelo Grupo Especial do Rio de Janeiro no Carnaval 2024, a Acadêmicos do Salgueiro apresentou o enredo “Hutukara” na Sapucaí, que na língua yanomami significa “o céu original a partir do qual se formou a terra”. 

No intuito de apoiar a visibilidade da luta indígena, o último carro da agremiação levou treze lideranças yanomami para a avenida, enquanto a letra do samba-enredo pediu atenção e justiça para o povo Yanomami

“Você diz lembrar do povo Yanomami
Em 19 de abril
Mas nem sabe o meu nome e sorriu da minha fome
Quando o medo me partiu

Eu aprendi o português, a língua do opressor
Pra te provar que meu penar também é sua dor
Falar de amor enquanto a mata chora
É luta sem flecha, da boca pra fora.”

Há um ano, uma série de ações governamentais foi anunciada para fazer frente a uma tragédia humanitária que se arrasta há anos na Terra Indígena Yanomani, localizada no extremo norte do Brasil. 

A crise, relacionada com o avanço do garimpo ilegal na região, se traduziu em fome, contaminação e um aumento alarmante no número de doenças, sobretudo a malária.

Apesar disso, a escola da zona norte da capital fluminense deixou claro que a crise humanitária envolvendo o garimpo ilegal não seria o foco principal do desfile, mas sim mostrar ao público a cultura, os costumes, os conhecimentos yanomamis, além de alertar para importância da defesa da Amazônia.

Em publicação da Agência Brasil, Igor Ricardo, enredista do Salgueiro, reforçou a importância de mostrar a essência do povo yanomami em rede nacional durante o Carnaval. 

 “Na televisão, os yanomamis só aparecem quando veiculam notícias sobre a malária ou sobre os impactos do garimpo nas suas terras. Aquilo não é o indígena. É o resultado que a ação de garimpeiros e forasteiros gera nos indígenas. Mas o que esse povo faz? Do que se alimenta? Como trabalham? Quem é verdadeiramente o povo Yanomani?”.

A escola também levou para o desfile Alessandra Soares, mulher do jornalista inglês Dom Philips, assassinado ao lado do indigenista Dom Phillips durante uma expedição no Vale do Javari, segunda maior terra indígena do Brasil.

  • Mariane Barbosa

    Curiosa por vocação, é movida pela paixão por música, fotografia e diferentes culturas. Já trabalhou com esporte, tecnologia e América Latina, tema em que descobriu o poder da comunicação como ferramenta de defesa dos direitos humanos, princípio que leva em seu jornalismo antirracista e LGBTQIA+.

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