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Menelick 2° ato e a emergência negra contra o racismo

12 de fevereiro de 2020

A revista, que completa 10 anos de duração em 2020, se organiza para lançamento de nova edição em Fevereiro, no centro de São Paulo

Texto / Pedro Borges | Imagem / Reprodução/YouTube

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A revista Menelick 2° ato tem lançamento marcado para o dia 14 de Fevereiro, sexta-feira, no Jardim do Centro, localizado na Rua General Jardim, 490, São Paulo. A atividade tem início às 19h30 e se encerra às 22h.

Produzida pela antropóloga Luciane Ramos e pelo jornalista José Nabor, a edição de número 21 da revista traz como mote central o tema da “Emergência”. Segundo os organizadores, é preciso trazer à tona temas “urgentes, críticos e graves, como àquilo que ascende, sobe, aflora ou brota”.

“Há mais de 300 anos vivemos (ou sobrevivemos) nos equilibrando entre a luta e o luto, buscando alternativas para insurgir, para existir, para sermos quem queremos e merecemos ser. A ideia de ‘Emergência’, palavra disparadora que sintetiza o conteúdo desta edição, é empregada justamente para explorar esse conceito, gerando perguntas e respostas para assuntos que vivemos no nosso cotidiano hoje”, explicam os dois organizadores.

A publicação que marca os 10 anos da revista contará com 112 páginas, escritas, desenhadas e ocupadas por figuras como: Alexandre Alves, Linoca Souza, Emol, Laís Oliveira, Nunca, No Martins, Adriana Oliveira, Carmen Luz, Eugênio Lima, Flávia Rios, Frieda Ekotto, Fernando Eduardo, Chuck Martin, Luciane Ramos-Silva, Nabor Jr., Salloma Salomão, Tatiana Nascimento, Abiniel João Nascimento, Aline Motta, André Bispo, Edson Ikê, Joy Gregory, Renata Felinto e Sidney Amaral (em memória).

A expectativa para a atividade de lançamento é o de reafirmar o lugar da revista como espaço de valorização, fortalecimento e de imaginação de futuros possíveis para pessoas negras.

“A expectativa não somente para o lançamento, mas para este ano que se inicia, é ampliar esse espaço de pensamento crítico em diversas áreas, sobretudo nas artes, e aprofundar nossa presença com dignidade, reconhecendo os fundamentos que as populações negras legaram ao Brasil e a outros contextos da diáspora”, afirmam a antropóloga e o jornalista.

O início e os porquês

Nabor Júnior recorda o processo de criação da revista, inspirada no desejo de enfrentar a invisibilidade da comunidade negra na mídia e lutar contra o racismo. Esses passos ganharam mais força quando o idealizador descobriu a história da imprensa negra no Brasil, no ano de 2006. O contato com os cadernos do Século XIX e XX foram o pontapé inicial para criar um blog, com o mesmo nome da revista, em 2007.

As duas primeiras edições da revista, publicadas no segundo semestre de 2010, foram organizadas por José Nabor. Após esse primeiro momento, houve a preocupação para se construir um conselho editorial, capaz de pensar os desafios e as potências de se construir um caderno negro impresso no Século XXI. A equipe então passou a ter a participação de Alexandre Bispo, Christiane Gomes, Renata Felinto e Luciane Ramos-Silva.

“Na publicação buscamos avançar nas conquistas que os que vieram antes de nós tiveram. Reconhecer, reverenciar e sempre que possível lembrar dessas conquistas, mas viver o presente, contribuir para a vivência negra contemporânea. Parafraseando o que ouvi recentemente da escritora Cidinha da Silva: ‘Gerações passadas já enfiaram o pé na porta’. Agora cabe a nós ocuparmos os cômodos da casa”, finaliza.

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