Na última segunda-feira (31), a vereadora da capital paulista Keit Lima (PSOL) abriu uma queixa-crime no Ministério Público de São Paulo (MPSP) para denunciar os recentes ataques racistas que têm sofrido nas redes sociais.
A parlamentar, eleita em 2024 com mais de 27 mil votos, foi alvo de centenas de comentários racistas e gordofóbicos após publicar um vídeo no TikTok, no dia 18 de fevereiro. O caso também foi denunciado no Instagram da vereadora.
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O conteúdo da publicação ironizava o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro após a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciá-lo por tentativa de golpe de Estado.
Após o vídeo, dezenas de apoiadores do ex-presidente enviaram mensagens de cunho discriminatório sobre o cabelo e o corpo da vereadora. Segundo a parlamentar, alguns usuários teriam feito referência a uma antiga fala racista de Bolsonaro, de 2017, em que utilizou a unidade de medida “arroba” para falar de quilombolas.
Além das ofensas racistas, a parlamentar também foi alvo de ameaças. Em um dos comentários publicados, um perfil fez alusão à morte da vereadora Marielle Franco, assassinada em janeiro de 2018. De acordo com denúncia divulgada pela assessoria da vereadora, um usuários afirmou: “Tu não quer visitar Marielle Franco onde ela está, não?”.
Em entrevista à Alma Preta, a vereadora de São Paulo informou que registros dos comentários foram enviados ao MPSP e que o processo será conduzido pelo Judiciário em âmbito federal.
Keit também destacou que a existência de pessoas negras em ambientes de poder é crucial no combate às discriminações.
“Mais uma vez fui vítima de ataques racistas por parte de quem não consegue ver uma mulher preta, favelada e nordestina ocupar o cargo de vereadora na maior cidade da América Latina”, afirmou a vereadora.
” Corpos negros ocupando espaços de poder já são, por si só, uma resposta ao racismo, mas obviamente o combate ao racismo se faz por meio de uma educação antirracista, maiores punições e muita luta!”, ressaltou.
Para a parlamentar, é fundamental utilizar os meios institucionais para responsabilizar os ofensores.
“É importante destacar que mulheres negras estarão cada vez mais nos espaços de poder. Nós não seremos interrompidas, pelo contrário, seguiremos com o nosso projeto político, eles gostando ou não. Racistas não passarão!”, defendeu.