A Polícia Federal divulgou uma nota negando ter realizado a revista nas deputadas estaduais Ediane Maria (PSOL-SP), Andreia de Jesus (PT-MG) e Leninha (PT-MG), após denúncia de racismo durante o desembarque no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, na sexta-feira (11).
As três deputadas afirmaram ter sido submetidas a uma abordagem discriminatória durante o desembarque do grupo que representou o Brasil no Painel Internacional de Mulheres Afropolíticas, realizado no Senado do México.
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No comunicado oficial, a PF afirma que “não foi a instituição responsável pela abordagem mencionada pelas três deputadas estaduais que relataram ter sido submetidas a revista na fila do desembarque do Aeroporto de Guarulhos”.
A corporação ainda disse que atua “com base nos protocolos estabelecidos em seus normativos internos e respeita estritamente os procedimentos legais vigentes”, reforçando o “compromisso com a legalidade, a isenção e o respeito aos direitos individuais no cumprimento de suas atribuições”.
Por outro lado, o Aeroporto de Guarulhos se manifestou sobre o caso afirmando que “não realiza revistas” e que “elas são conduzidas por órgão de segurança, como Polícia Federal ou Receita Federal”.
Já a Receita Federal em nota explicou que as imagens registradas do procedimento mostram que 18% dos passageiros do total do voo foram revistados. O órgão também informou que “a ouvidoria entrará em contato com as parlamentares para fornecer os esclarecimentos necessários”.
Deputadas denunciam o caso
Ao chegarem ao Brasil, as parlamentares registraram um boletim de ocorrência por prática de racismo, relatando que foram as únicas pessoas selecionadas para a revista entre centenas de passageiros.
A deputada Leninha afirmou, em uma postagem nas redes sociais, que nenhuma outra pessoa ao redor foi submetida à revista. Ela classificou o episódio como um caso de racismo velado durante o procedimento.
“Não é coincidência. É padrão. É a cor da nossa pele sendo lida como ‘suspeita’ em um país que ainda normaliza a violência racial disfarçada de protocolo. Mas estamos aqui para denunciar, resistir e lembrar: nenhuma humilhação será silenciada”, denunciou.
Já a deputada Andreia de Jesus também afirmou que a escolha das três para a revista revela que o ato foi baseado em um estereótipo racial.
“O motivo nós já sabemos. É a lógica do ‘suspeito padrão’ que continua operando com as pretas e pretos”, comentou. “Um constrangimento que nenhuma pessoa merece passar. Racismo é crime. E a gente vai seguir enfrentando a discriminação em todos os espaços, dentro e fora das instituições.”
A deputada Ediane também reforçou o relato. “De todos que estavam na fila, só nós três mulheres negras fomos escolhidas”.