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Cortes de ajuda dos EUA provocam mortes de crianças no Sudão do Sul, alertam ONGs

Redução de verbas da USAID agrava crise humanitária no país africano, com surto de cólera e desnutrição infantil em níveis emergenciais
Inventário das últimas caixas de medicamentos entregues pela extinta Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) em meio à cortes de ajuda, em abril de 2025.

Inventário das últimas caixas de medicamentos entregues pela extinta Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) em meio à cortes de ajuda, em abril de 2025.

— Luis Tato/AFP

1 de julho de 2025

A ONG internacional Action Against Hunger (Ação Contra a Fome, em português) alertou que crianças já estão morrendo no Sudão do Sul em decorrência dos cortes na ajuda humanitária dos Estados Unidos. O país africano, instável desde sua independência em 2011, segue altamente dependente de apoio internacional, apesar de possuir recursos petrolíferos.

A decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de reduzir os repasses para a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) afetou diretamente o Sudão do Sul, que era um dos principais beneficiários do programa. A USAID fornecia mais de 40% da ajuda humanitária global.

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Surtos de cólera e falta de alimentos

Os cortes acontecem em meio a diversas emergências. Desde setembro, um surto de cólera já causou a morte de 1.300 pessoas no país. Na região de Abyei, no noroeste do Sudão do Sul, a organização Médicos Sem Fronteiras confirmou mais de 330 casos de cólera registrados apenas em junho, agravados pela escassez de água potável e pela ausência de saneamento básico.

O Programa Mundial de Alimentos (WFP) também emitiu um alerta, informando que a taxa de desnutrição aguda entre crianças refugiadas — muitas delas vindas do Sudão, em guerra — ultrapassou os limites considerados de emergência.

Denish Ogen Rwot, líder de comunicação e advocacy da Action Against Hunger no Sudão do Sul, afirmou que a ONG perdeu 30% de seu financiamento após os cortes da USAID. Segundo ele, unidades atendidas pela organização seguem registrando pessoas necessitadas, mas não possuem alimentos para distribuir.

Em visita recente ao estado de Warrap, na fronteira com o Sudão, Rwot descreveu os armazéns da ONG como “muito vazios”. A ONG também reduziu drasticamente seu efetivo, passando de 300 para 86 profissionais no país. “Estamos funcionando apenas pela fé”, disse Rwot.


O impacto dos cortes ultrapassa as fronteiras do Sudão do Sul. Segundo publicação da revista britânica The Lancet, a redução da ajuda norte-americana pode resultar em mais de 14 milhões de mortes até 2030, incluindo mais de 4,5 milhões de crianças com menos de cinco anos.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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