O presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, anunciou na segunda-feira (1) a formação de um novo governo. A transmissão ao vivo pela televisão ocorreu menos de duas semanas após Faye demitir o primeiro-ministro Ousmane Sonko, seu antigo mentor, e dissolver o gabinete anterior. As divergências entre os dois incluíam o tratamento da economia enfraquecida do país.
O novo gabinete inclui alguns membros e aliados do partido Pastef, liderado por Sonko. O ex-premiê, no entanto, declarou que sua legenda não participaria da nova composição. A decisão ocorreu após uma “longa conversa” com o presidente.
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“Alguns pontos de acordo foram confirmados, mas, acima de tudo, pontos de desacordo”, afirmou Sonko em publicação em seu perfil nas redes sociais. “O Pastef não participará e não será representado por nenhum ministro.”
Sonko segue como líder incontestável do Pastef, partido que fundou em 2014 e ao qual Faye também pertence. A legenda controla 130 das 165 cadeiras da Assembleia Nacional, único órgão legislativo do Senegal.
Figura popular entre os senegaleses, Sonko teria quase certamente vencido a eleição presidencial se não tivesse sido barrado da disputa devido a uma condenação por difamação. Faye o nomeou primeiro-ministro em abril de 2024, dias depois de eleito presidente.
Tensões entre presidente e ex-primeiro ministro
As tensões entre os dois começaram a surgir em julho. Sonko acusou Faye de “falha de liderança” por não apoiá-lo o suficiente contra seus muitos críticos. Em maio, o presidente criticou Sonko, afirmando que o partido precisava ser “despersonalizado” de qualquer líder dominante.
Os dois também divergem sobre a política econômica. Faye se mostra aberto a negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um novo programa de empréstimos. Sonko defende uma abordagem mais soberana.
Faye nomeou o economista sênior Ahmadou Al Aminou Mohamed Lo como primeiro-ministro. O presidente afirmou que o novo indicado possui a experiência necessária para tirar o Senegal da situação de dívida crítica.
O primeiro-ministro leu nesta segunda-feira a lista de 30 novos ministros. O novo gabinete inclui alguns membros do Pastef, mas chama atenção a ausência de várias figuras seniores da legenda que integravam o governo anterior.
Sonko continua como presidente da Assembleia Nacional. Aliados do partido o elegeram para o cargo em uma votação boicotada pela oposição. O movimento aprofundou a crise política no país da África Ocidental.
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