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Mulheres negras e pobres pagam 3 vezes mais impostos do que os super-ricos, aponta estudo 

Estudo da Oxfam Brasil destaca que a desigualdade tributária no país atinge majoritariamente as mulheres negras
A imagem mostra um celular com o aplicativo do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) da Receita Federal.

A imagem mostra um celular com o aplicativo do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) da Receita Federal.

— Marcello Casal Jr/Agência Brasil

15 de julho de 2025

Um levantamento realizado pela Oxfam Brasil revelou que a população negra e pobre, sobretudo as mulheres, paga cerca de três vezes mais impostos do que os super-ricos. 

Segundo o estudo, os 0,1% mais ricos do país concentram mais renda do que a metade mais pobre da população, e gastam apenas 10% da renda com tributos. 

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Por outro lado, os 10% mais pobres têm 32% da renda comprometida com tributos. A pesquisa também destaca que 65% dos lares mais pobres são chefiados por mulheres negras. Em 2024, os 40% da população brasileira que recebem menos ganhava, em média, R$ 601 por mês. 

O levantamento ressalta que a disparidade ocorre devido ao tipo de imposto predominante no Brasil, com média de 14,8% de carga tributária sobre o consumo.

De acordo com a Oxfam, aplicar os tributos indiretos de consumo, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), aos mais ricos pode gerar cerca de R$ 400 bilhões de reais aos cofres públicos. 

Embora representem 0,015% da população, os mais ricos concentram R$ 1 trilhão em renda (14% do total nacional). Homens brancos representam 81% deste grupo. 

Nos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a carga tributária sobre consumo é de 9,7%. No Brasil, os impostos sobre propriedades apresentam uma discrepância ainda maior, com taxa de apenas 1,5%.

A disparidade se mantém quando observados os impostos sobre lucros e dividendos que, no Brasil, são taxados em apenas 3%. 

“O sistema tributário brasileiro é um mecanismo de manutenção de privilégios de raça. Enquanto famílias negras pagam proporcionalmente mais impostos sobre itens básicos, como arroz e feijão, lucros e dividendos de grandes fortunas seguem quase intocados. Isso não é neutro, é uma escolha política com raízes no racismo estrutural”, explica a diretora-executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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