A Federação Internacional de Futebol (FIFA) anunciou nesta segunda-feira (15) que não punirá o assistente de VAR Shaun Evans. A entidade investigou o suposto gesto supremacista feito pelo árbitro australiano durante a partida entre Alemanha e Curaçao, no domingo (14).
A FIFA afirmou, em comunicado, que “não encontrou evidências de violação do Código Disciplinar”. A informação é da agência de notícias AFP.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
A decisão considerou a declaração do próprio árbitro. Evans negou ter feito “intencionalmente qualquer gesto ou símbolo com a mão para comunicar uma mensagem, afiliação, jogo ou crença de qualquer tipo”.
“A única explicação que posso oferecer é que o movimento foi um tique involuntário, subconsciente, e naquele momento eu não tinha consciência de tê-lo feito”, explicou Evans.
“Entendo como o gesto foi interpretado e lamento. No entanto, quero ser muito claro e afirmar categoricamente que não fiz de forma consciente e deliberada o gesto que foi sugerido”, acrescentou o australiano de 38 anos.
Leia mais: FIFA é pressionada a afastar árbitro por gesto associado a supremacismo branco
O gesto e a controvérsia
Durante a transmissão televisiva pré-jogo de Alemanha x Curaçao, vitória dos europeus por 7 a 1, a equipe de arbitragem do VAR apareceu na tela. Imagens mostraram Evans com o braço esquerdo estendido e próximo à perna direita. Em seguida, ele fez um círculo com o polegar e o indicador enquanto estendia o dedo médio, o anelar e o mínimo.
O sinal, conhecido como “OK” invertido, aparece na lista de símbolos de ódio da Liga Antidifamação (ADL), ONG americana que combate a intolerância. Grupos supremacistas brancos afirmam que o gesto representa as letras “W” e “P” de “White Power” (Poder Branco).
A imagem do árbitro se espalhou rapidamente nas redes sociais. A controvérsia gerou acusações de supremacia branca contra Evans.
A ex-ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, alegou que o episódio demonstra que a FIFA perdeu o controle.
“Ver um árbitro de vídeo, que deveria ser quem garante as regras, fazendo um gesto supremacista em plena transmissão oficial, mostra o quanto ainda temos que avançar como humanidade. A FIFA precisa agir imediatamente para que esses espaços sejam democráticos”, afirmou Anielle em nota à imprensa.
A ex-ministra manifestou profunda preocupação com o impacto do ódio no ambiente que deveria promover a integração dos povos: “O esporte é feito para unir e emocionar. Esportes salvam vidas. Permitir ações como essa é violento, inadmissível e destrói o futebol.”
Leia mais: Racismo, xenofobia e elitismo marcam início da Copa do Mundo nos EUA