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Livro de escritora negra desafia o imaginário colonizado sobre o prazer

Obra de estreia de Monique dos Anjos na literatura será lançada na FLIP 2025, em 2 de agosto
A jornalista, escritora e consultora em diversidade Monique dos Anjos.

A jornalista, escritora e consultora em diversidade Monique dos Anjos.

— Divulgação

27 de julho de 2025

Como escrever sobre o prazer das mulheres sem romantização, sem moralismo e sem colonização? Em seu livro de estreia, a jornalista, escritora e consultora em diversidade Monique dos Anjos aposta em uma literatura erótica que coloca o gozo — e não apenas o sexo — no centro da narrativa. 

Publicado pela Editora Telha, “Nós entre três” reúne 14 contos que encaram o desejo como um direito, e o corpo como território de subversão, fricção e memória. O livro conta com prefácio de Caroline Amanda, cientista social, psicanalista e especialista em saúde íntima, reprodutiva e sexual, além de fundadora da Yoni das Pretas, e comentários de contracapa de Mayumi Sato, pesquisadora de sexualidade que lidera a maior rede social de sexo do Brasil.

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A obra será lançada na 23ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no sábado, 2 de agosto, às 18h, na Casa Poéticas Negras, durante a mesa “Ocupação vulva negra”, ao lado das autoras Yasmin Morais e Odalita Alves, com mediação de Noelia Miranda.

Com linguagem sensível e direta, Monique explora o erótico como espaço de liberdade — especialmente para mulheres negras, retintas, mães, maduras, inseguras, vaidosas, complexas. “Quero que mulheres saibam que o acesso ao prazer — e, sobretudo, ao gozo — é um direito que nos foi negado”, afirma a autora. “Escrevo porque preciso me ler. Porque durante tempo demais fomos reduzidas a corpos servis, objetos ou ausências. Quero escrever sobre cheiro, sobre suor, sobre o que acontece depois da primeira transa. Quero escrever sobre mulheres como eu.”

A obra recusa a lógica eurocentrada do casal perfeito e constrói enredos em que o sexo é suado, ambíguo, às vezes engraçado, às vezes brutal. As personagens erram, gozam, desistem, voltam, se expõem — tudo nos seus próprios termos. A obra provoca tanto quanto acolhe: questiona as estruturas de desejo e, ao mesmo tempo, convida a olhar para o corpo como espaço de presença.

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