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Tereza de Benguela, a estrategista que liderou o Quilombo do Quariterê

Reconhecida como símbolo de resistência negra, Tereza de Benguela liderou o Quilombo do Quariterê com estratégias políticas, econômicas e de defesa
A foto mostra uma retratação de Tereza de Benguela em preto e branco.

A foto mostra uma retratação de Tereza de Benguela em preto e branco.

— Reprodução / Agência Senado

25 de julho de 2025

O Dia Nacional de Tereza de Benguela é comemorado no Brasil no dia 25 de julho desde 2014.  A data foi instituída em 2 de junho, a partir da Lei nº. 12.987, para homenagear a memória da líder que desafiou o sistema de escravização e carrega a história de um projeto político de soberania negra que resiste através do tempo.

Tereza de Benguela foi líder do Quilombo do Quariterê, situado no atual Vale do Guaporé, no estado do Mato Grosso. Há divergências sobre suas origens; alguns pesquisadores apontam a Angola como seu país de nascimento, enquanto outros afirmam que ela teria nascido no território brasileiro.

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Para governar a comunidade de Quararitê, que abrigava mais de 100 pessoas negras e indígenas, Tereza articulou um parlamento com estrutura política autônoma e assembleias regulares para decidir coletivamente as ações do quilombo.

O parlamento quilombola presidido por ela organizava produção agrícola, definia políticas de proteção do território e coordenava trocas comerciais com comunidades vizinhas. Mesmo diante da perseguição dos bandeirantes, a governança do Quariterê perdurou por décadas. 

Além da resistência e da política autônoma, o quilombo mantinha diversas atividades econômicas e um aparato de defesa bem articulado. 

Com a agricultura, carro-chefe da economia do território, os quilombolas cultivavam milho, feijão, mandioca, banana e algodão. A produção agrícola também servia de escambo para armamentos ou ferro para forja. 

A liderança de Tereza foi a força central desse modelo. Com astúcia e firmeza, ela orientava as decisões do grupo, garantindo coesão interna e estratégias de sobrevivência externa.

A morte da líder também é objeto de divergência entre os historiadores. Algumas versões dizem que Tereza foi assassinada; outras, que tirou a própria vida após ser capturada para não ser submetida novamente à escravidão. O que permanece, no entanto, são as marcas de suas conquistas. 

No Brasil atual, as comunidades quilombolas seguem lutando por terra, educação e dignidade. A trajetória de Tereza rompeu com as narrativas que limitam as mulheres negras a um papel secundário. Tereza governou e forjou técnicas e tecnologias que seguem dando luz às lutas das comunidades tradicionais, originárias e negras.  

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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