A Comissão Pastoral da Terra (CPT) registrou mais de 3 mil ocorrências de conflitos fundiários envolvendo comunidades quilombolas entre 2000 e 2023. As informações constam no “Atlas dos Conflitos no Campo Brasileiro”, divulgado pela entidade na última terça-feira (22).
Em sua segunda edição, a publicação compila dados que demonstram a violação de direitos e a escalada de conflitos por terra em comunidades quilombolas, assentamentos e acampamentos rurais e outros grupos de resistência no campo.
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O Atlas aponta que, no período analisado, foram registrados 430 casos de violência contra comunidades quilombolas. A maioria das ocorrências (2.466) está relacionada a disputas territoriais. Os conflitos por acesso à água ocupam o segundo lugar (259 casos), seguidos por prisões, tentativas de assassinato e homicídios, que somam 167 registros.
A publicação também apresenta dados sobre os conflitos no campo em todo o país. Em 2024, apesar de uma redução de 3% nos registros em relação ao ano anterior, foram contabilizados 2.185 conflitos, o segundo maior número da série histórica da CPT. Do total, cerca de 78% se referem a disputas por terra.
O estado do Maranhão apresentou o maior número de violências em conflitos territoriais, com 363 ocorrências. O Pará (234), a Bahia (135) e Rondônia (119) também se destacaram pelo alto índice de casos.
De acordo com o levantamento, os indígenas foram o grupo mais afetado pela violência, totalizando 481 casos. O número equivale a 27% de todos os registros. A pesquisa destaca um aumento expressivo nos casos contra posseiros (425) e quilombolas (221).
Os fazendeiros foram apontados como os maiores causadores da violência por terra (44%), incêndios (47%) e desmatamento ilegal (38%). Grileiros, empresários e madeireiros também integram o grupo.