A Chacina de Osasco e Barueri, ocorrida em agosto de 2015, completa dez anos nesta quarta-feira (13). No próximo sábado (16), a Associação 13 de Agosto, formada por mães e familiares das vítimas, realizará um ato no bairro Munhoz Júnior, na divisa entre os dois municípios, para lembrar os jovens mortos por agentes de segurança.
Foram pelo menos 29 vítimas fatais, atingidas por um grupo de extermínio formado por homens da Polícia Militar do Estado de São Paulo e da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de Barueri. Encapuzados e fora de serviço, cerca de dez homens atuaram em duas datas, 8 e 13 de agosto de 2015, em suposta vingança pela morte de um policial militar e de um GCM que trabalhavam em segurança privada para comércios locais.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Nenhuma das vítimas tinha relação com as mortes dos agentes. Muitas foram atingidas quando estavam em bares, a caminho de casa ou buscando comida em estabelecimentos próximos. Os autores da chacina percorreram as ruas atirando contra quem encontravam.
Entre as vítimas, Fernando Luís de Paula, de 35 anos, havia terminado de pintar a casa da mãe quando saiu para cortar o cabelo. No caminho, parou em um bar para beber uma cerveja e levou um tiro no rosto. No mesmo local, dez pessoas foram baleadas e oito morreram.
Julgamentos e impunidade
As investigações iniciais da Polícia Civil identificaram oito agentes envolvidos. Quatro foram inocentados por falta de provas e quatro condenados a penas superiores a cem anos de prisão. Em 2021, um novo julgamento absolveu o policial militar Victor Cristilder e o GCM Sérgio Manhanhã. Em 2023, Cristilder foi reintegrado à PM por decisão do governador Tarcísio de Freitas e do secretário de Segurança Guilherme Derrite.
Para Gabriella de Biaggi, doutoranda em Geografia Humana pela USP e pesquisadora do LASInTec e do Centro de Memória Urbana (CMUrb/Unifesp), o caso expõe a naturalização da violência no país. Ela aponta que o termo “chacina” vem do abate de animais e sua aplicação a mortes provocadas por agentes do Estado revela um processo de desumanização.
Para Joana Barros, arquiteta, socióloga e professora da Unifesp, morticínios como o de Osasco e Barueri são comuns em regiões metropolitanas. Ela ressalta que, sem a mobilização de mães e familiares, muitos desses crimes ficariam sem responsabilização.
“Não fossem as vozes dessas mães e familiares, muitos desses crimes de Estado ficariam esquecidos. Mas é graças a essas mulheres que não caem no esquecimento e, em alguns poucos casos, vemos os policiais sendo julgados e punidos”, explica em nota à imprensa.
Serviço
Ato em memória dos dez anos da chacina de Osasco e Barueri
Quando: 16 de agosto de 2025
Horário: a partir das 14h
Onde: Rua Alagoinha, 940 – Jardim Mutinga/Jardim Munhoz -, Osasco (SP)