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Crianças negras são 81% das vítimas de estupro e 91% dos mortos pela polícia na Amazônia Legal

Estudo do Unicef e Fórum de Segurança aponta desigualdades raciais e vulnerabilidade elevada de crianças e adolescentes na região entre 2021 e 2023
Silhueta e a sombra de duas crianças.

Silhueta e a sombra de duas crianças.

— Reprodução/Freepik

14 de agosto de 2025

Crianças e adolescentes negros e indígenas da Amazônia Legal enfrentam índices de violência letal e sexual superiores aos registrados entre brancos e à média nacional. Entre 2021 e 2023, 81% das vítimas de estupro na região eram pretas ou pardas e 2,6% indígenas. A taxa de violência sexual entre negros chegou a 45,8 casos a cada 100 mil, contra 32,7 entre brancos. No restante do país, a maior incidência ocorre entre crianças brancas.

Os dados são do estudo “Violência contra crianças e adolescentes na Amazônia”, divulgado nesta quinta-feira (14) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

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No mesmo período, a letalidade contra crianças e adolescentes negros foi três vezes maior que entre brancos. No caso de mortes decorrentes de intervenção policial, 91,8% das vítimas eram negras, 7,9% brancas e 0,3% indígenas. Apenas em 2023, a taxa de mortes por ação policial de jovens negros foi três vezes superior à de brancos.

O levantamento aponta ainda que 94 crianças indígenas morreram de forma violenta no triênio, e os registros de violência sexual contra elas mais que dobraram no período, com alta de 151%.

Panorama da violência na Amazônia Legal

Segundo o estudo, a região concentra seis dos dez estados com maior índice de violência sexual infantil no país. Entre 2021 e 2023, foram mais de 38 mil casos de estupro de vítimas com até 19 anos e quase 3 mil mortes violentas intencionais.

A taxa de violência sexual em 2023 foi de 141,3 casos por 100 mil crianças e adolescentes, 21,4% acima da média nacional. Enquanto o Brasil registrou aumento de 12,5% nas notificações de estupro e estupro de vulnerável de 2021 para 2022, a região amazônica teve alta de 26,4%. Municípios próximos às fronteiras apresentam índices mais elevados que cidades não-fronteiriças.

As mortes violentas nos centros urbanos da Amazônia são 31,9% superiores às de outras áreas urbanas do país. Adolescentes de 15 a 19 anos na região têm risco 27% maior de serem vítimas de violência letal do que no restante do Brasil.

Entre 2021 e 2023, a região registrou 10.125 casos de maus-tratos contra crianças e adolescentes. Em 2023, a taxa foi de 52,9 por 100 mil, levemente acima da média nacional. A maioria das vítimas é negra (78,9%), do sexo feminino (52,1%) e tem entre 5 e 9 anos (35,2%). Em quase todos os casos, os agressores são familiares (94,7%) e os crimes ocorrem dentro de casa (67,6%).

Causas estruturais e recomendações

De acordo com a oficial de Proteção contra a Violência do UNICEF no Brasil, Nayana Lorena da Silva, as desigualdades étnico-raciais e a vulnerabilidade social, combinadas a conflitos territoriais, extensas fronteiras e crimes ambientais, criam um cenário complexo para a garantia dos direitos da infância.

O relatório recomenda considerar as especificidades do contexto amazônico na formulação de políticas públicas; melhorar registros policiais e de saúde; capacitar profissionais para o atendimento a populações indígenas; fortalecer o controle sobre o uso da força policial; enfrentar o racismo estrutural e as normas de gênero restritivas; e reforçar a proteção ambiental.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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