O Data Favela, instituto dedicado à produção de dados sobre favelas e periferias, anunciou na terça-feira (13), no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, a transição de sua gestão para uma nova geração de lideranças. Criado há 14 anos por Celso Athayde e Renato Meirelles, o instituto passa a ser comandado pelos copresidentes Cléo Santana e Marcus Vinícius Athayde. A coordenação geral ficará a cargo de Bruna Hasclepildes, especialista em pesquisa corporativa, e de Geraldo Tadeu, fundador do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS).
A equipe conta ainda com Fernando da Silva, ex-diretor do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e com coordenadores regionais da Central Única das Favelas (CUFA) em todo o país. Com a mudança, Athayde se dedicará integralmente à Favela Holding, enquanto Meirelles seguirá à frente do Instituto Locomotiva.
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Segundo Athayde, a troca representa mais que uma mudança de nomes: “Essa nova etapa representa não apenas uma transição de lideranças, mas também uma ampliação do olhar sobre os territórios. A pesquisa com operadores do tráfico é um passo ousado e necessário para compreender realidades que muitas vezes são apenas estigmatizadas”, disse em comunicado à imprensa.
Meirelles afirmou que deixa o comando com a sensação de missão cumprida: “Nunca me desliguei de um projeto que amo e que me deu tanto prazer, a menos que tivesse a certeza de que nossa missão foi cumprida. Ver uma nova geração assumindo com tanta coragem e começando já com uma pesquisa inédita me enche de orgulho e esperança”.
Pesquisa nacional inédita
A nova gestão inicia as atividades com o lançamento de um levantamento nacional inédito em parceria com a plataforma Data Goal. A pesquisa ouvirá mais de 10 mil pessoas em conflito com a lei, incluindo operadores do tráfico de drogas, em todos os 24 estados brasileiros.
O trabalho de campo, que começou simultaneamente nesta terça-feira, terá duração de 25 dias. O estudo não abordará questões diretamente ligadas à criminalidade e sim temas como família, trajetória de vida, hábitos, padrões de consumo, sonhos e perspectivas de futuro.
Na segunda etapa, policiais responderão ao mesmo questionário, permitindo uma comparação direta e inédita entre as visões e experiências dos dois grupos. A proposta é gerar dados que contribuam para a formulação de políticas públicas e estratégias de prevenção e mediação de conflitos.