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Ato denuncia ameaças e racismo religioso contra ialorixá Mãe Bruna no Pará

Manifestação reúne terreiros e lideranças nesta sexta-feira (15), em apoio à ialorixá ameaçada de morte
Na foto, a ialorixá Mãe Bruna de Outeiro (à direita) e seu advogado, Rodrigo Leite.

Na foto, a ialorixá Mãe Bruna de Outeiro (à direita) e seu advogado, Rodrigo Leite.

— Reprodução / Rodrigo Leite

15 de agosto de 2025

Nesta sexta-feira (15), o bairro de Outeiro, em Belém, foi palco da manifestação “Tambor da Resistência”, que denunciou as ameaças e o racismo religioso sofridas pela professora, militante e ialorixá Mãe Bruna de Outeiro.

O ato ocorre dias após Mãe Bruna ser alvo de ofensas e ameaças de morte por uma vizinha. Segundo o Boletim de Ocorrência (B.O), o qual a Alma Preta teve acesso, o caso aconteceu no último dia 6 de agosto, quando a suspeita, identificada como Angela Maria, bateu no portão da vítima com um pedaço de madeira. 

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“Na religião deles só se fala em palavrão e cachaça. […] Nessa casa todo mundo fica bêbado. […] Vai pro inferno com essa tua religião”, disse a vizinha, de acordo com o B.O. 

Conforme descreve o documento, além da vizinha, seu marido também proferiu ofensas às religiões de matriz africana e sacou um facão para a vítima, enquanto dizia: “Essa porra aqui não é pra fazer macumba”. 

O ataque também envolveu xingamentos à filha e ao esposo da vítima, além de ameaças de depredar a residência. O advogado Rodrigo Leite, responsável pela defesa da ialorixá, informou que, por medo de novos ataques, Mãe Bruna deixou sua casa e está acolhida em um local seguro.

Um ofício foi protocolado junto à Secretaria de Igualdade Racial e Direitos Humanos (SEIRDH) solicitando acompanhamento urgente do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH). 

O documento foi recebido pela servidora Gabriela Furtado na última quinta-feira (14), mas, até o momento, não chegou à equipe técnica do programa.

“Uma vida está em jogo, e a Mãe Bruna é uma liderança a partir do momento que ela possui filhos de santos e representa seu terreiro e sua ancestralidade”, declarou a defesa em nota. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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