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Quilombolas denunciam incêndio provocado por negligência e descaso de autoridades

Segundo a Comissão Pastoral da Terra, o incêndio na comunidade Quilombola de Grotão, no Tocantins, atingiu áreas de preservação do Cerrado
Focos de incêndio em área de mata no Tocantins.

Focos de incêndio em área de mata no Tocantins.

— Reprodução/CPT-Regional Araguaia-Tocantins e COEQTO

9 de setembro de 2025

Moradores da Comunidade Quilombola Grotão, na zona rural da cidade de Filadélfia (TO), denunciaram um incêndio que durou mais de cinco dias, causado por falhas na rede elétrica. A informação foi divulgada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) na segunda-feira (9).

Segundo o comunicado, o fogo teve início no dia 1 de setembro e persistiu por mais de cinco dias, atingindo roçados e áreas de vegetação nativa do Cerrado. A entidade informou que não houve nenhum auxílio dos órgãos competentes. 

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O fogo teria começado após a queda de uma árvore sobre a linha de transmissão de energia elétrica, rompendo a fiação. Outras três árvores caíram sobre a rede e algumas ainda estão sob risco de queda em decorrência do avanço das chamas.

A comunidade relata que há anos a concessionária responsável pelo fornecimento de energia não realiza as podas necessárias na vegetação próxima à rede, limitando-se a ações emergenciais quando há queda de galhos ou acidentes com animais. 

“A partir dos esforços dos moradores, o fogo foi contido, mas a situação da rede elétrica e a negligência dos órgãos responsáveis segue colocando em risco o Cerrado e as famílias quilombolas. Nessa terra marcada pela luta pela preservação ambiental, o incêndio já destruiu áreas de vegetação nativa e continua ameaçando o território todo”, diz trecho da nota à imprensa. 

A área mais atingida, de acordo com a CPT, foi o “Brejo da Maria Viúva”, uma área de preservação que possui uma fonte de água que abastece o território do quilombo. 

Além da ausência de apoio da empresa de energia, os moradores também denunciam a falta de apoio de órgãos públicos, como o Instituto Natureza do Tocantins (Naturantins), a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros. Nenhuma ação teria sido realizada para controlar o fogo.

Também foi feito um boletim de ocorrência junto à Polícia Civil, buscando a apuração das responsabilidades e as providências cabíveis. 

“Hoje, estamos sozinhos enfrentando o fogo. Estamos fazendo a nossa parte, mas precisamos de apoio imediato antes que a tragédia seja ainda maior. O que chegou na nossa porta foi o medo e a destruição causada pelo fogo”, declarou uma liderança.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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