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Estudantes quilombolas de Santarém (PA) estão há 7 meses sem aulas; MPF cobra indenização

Em ação civil pública, o Ministério Público Federal pede que o governo do Pará seja obrigado a retomar as aulas e pague indenização de R$ 700 mil por danos morais coletivos
A sede da Secretaria de Estado da Educação do Pará.

A sede da Secretaria de Estado da Educação do Pará.

— Reprodução/Eliseu Dias / Ascom Seduc

17 de setembro de 2025

O Ministério Público Federal (MPF) iniciou uma ação civil pública contra o estado do Pará solicitando a regularização imediata das aulas de ensino médio para alunos quilombolas em Santarém. A informação foi divulgada pelo órgão na última terça-feira (16). 

No processo, o MPF denuncia que estudantes quilombolas de 14 comunidades estão há sete meses sem professores. Em julho deste ano, o caso foi denunciado por 70 membros das comunidades, que relataram a paralisação completa e inexplicada das aulas. 

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O tema chegou a ser debatido em reuniões periódicas dos representantes quilombolas com o Ministério Público Federal. O órgão defende que a suspensão das aulas pode gerar “consequências devastadoras”, como aumento da evasão escolar. 

À época, o MPF expediu uma recomendação ao governo do Pará, pedindo que o estado tome as medidas necessárias para a resolução do problema. Em resposta, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) alegou dificuldades burocráticas, embora tenha reconhecido a necessidade de contratar professores.

Para justificar a demora, a Seduc declarou que aguardava a autorização da Secretaria de Estado de Planejamento e Administração (Seplad) para realizar um novo processo seletivo destinado às 68 vagas. 

Ao Poder Judiciário, a ação, assinada pela procuradora da República Thaís Medeiros da Costa, pede que o estado do Pará apresente um cronograma para a normalização das aulas no prazo de 15 dias e regularize a oferta de aulas em até 15 dias.

O MPF requer que a Federação das Organizações Quilombolas de Santarém (FOQS) seja incluída na elaboração e execução do plano, com multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. 

Além da retomada das aulas, o processo também pede que o governo paraense seja condenado ao pagamento de indenização por danos morais coletivos de R$ 700 mil, para ser investido diretamente em ações educacionais voltadas às próprias comunidades quilombolas de Santarém.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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