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‘Imprescindível’: protesto cobra presidente Lula pela indicação de uma mulher negra ao STF

Ato de movimentos e organizações negras pressionam Lula a nomear a primeira mulher negra para o Supremo Tribunal Federal
XI Marcha das Mulheres Negras, na cidade do Rio de Janeiro, em 27 de julho de 2025.

XI Marcha das Mulheres Negras, na cidade do Rio de Janeiro, em 27 de julho de 2025.

— Reprodução/ Fernando Frazão/Agência Brasil

15 de outubro de 2025

Organizações da sociedade civil realizaram, nesta quarta-feira (15), no Rio de Janeiro, um ato que reivindica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a indicação da primeira jurista negra para ocupar a vaga do ex-ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Com a aposentadoria de Barroso, anunciada no dia 9 de outubro, caberá a Lula indicar um novo nome para ocupar o cargo no Supremo. Desde sua criação, o tribunal nunca teve uma mulher negra como ministra.

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O protesto é mobilizado pelos movimentos Mulheres Negras Decidem, Instituto de Defesa da População Negra (IDPN), Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras, Coalizão Negra por Direitos, Rede Feminista de Juristas, Instituto Lamparina e Instituto Juristas Negras.

Para as organizações, a escolha de uma ministra negra representa um passo concreto em direção à equidade racial de gênero dentro da mais alta instância do Judiciário brasileiro.

Entre as juristas cotadas por movimentos sociais e institucionais, estão Adriana Cruz, Vera Lúcia Santana Araújo, Lívia Sant’Anna Vaz, Edilene Lôbo, Mônica Melo, Manuelita Hermes, Karen Luise Vilanova, Soraia Mendes, Sheila de Carvalho, Lívia Casseres, Lucineia Rosa e Flávia Martins.

O protesto ocorre durante a agenda do presidente na capital fluminense, que participará de um evento em comemoração ao Dia dos Professores, no Ginásio Educacional Olímpico (GEO) Isabel Salgado.

Essa é a terceira vez que movimentos populares se organizam pela indicação da primeira mulher negra no STF. Em nota à imprensa, as entidades ressaltam que, em 134 anos, apenas quatro pessoas negras foram empossadas, todos homens. No mesmo período, apenas três mulheres ocuparam uma vaga no Supremo, todas brancas.

“Manter o padrão histórico de indicações pode prejudicar a popularidade do governo, que segue para as eleições de 2026 em cenário favorável após a resposta brasileira aos rompantes tarifários de Donald Trump. A recusa na indicação sinalizaria desprezo pelas demandas da população negra no Brasil”, diz trecho do comunicado.

Em entrevista à Alma Preta, a coordenadora do Mulheres Negras Decidem, Taináh Pereira, destaca que, em 2023, a campanha por uma jurista negra no STF alcançou mais de 3 milhões de pessoas, o que demonstra que a pauta é reivindicada por diversos segmentos da sociedade.

“E o que nós temos agora é mais uma oportunidade de trazer essa reflexão e recuperar um argumento que é muito fundamental para a construção da democracia e da sociedade que nós queremos. Ter a participação das maiorias sociais em espaços de poder e de tomada de decisão é imprescindível para avançarmos como sociedade”, aponta.

Ferreira explica que o tema não é uma pauta divisionista, e sim uma busca pela composição diversificada nesses espaços.

“É uma reflexão que parte de acúmulos de décadas sobre o quão importante é ter diferentes segmentos da sociedade representados em espaços de poder e de tomada de decisão. É uma frente de batalha dessa amplíssima luta que reúne as maiorias sociais, as mulheres e as pessoas negras por um espaço condizente com sua participação e presença na sociedade”, conclui.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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