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Livro documenta massacre dos indígenas Kaingang em São Paulo

Obra mostra como a etnia passou de uma ocupação expressiva do território do estado para pouco mais de 30 porções de terras
Imagem mostra indígenas da etnia Kaingang em um barco.

Imagem mostra indígenas da etnia Kaingang em um barco.

— Divulgação/Editora Telha

26 de outubro de 2025

O massacre dos Kaingang, impetrado pela elite paulista no começo do século XX, é um exemplo de como um genocídio pode ser propositadamente enterrado em alguma sala de arquivos e documentos empoeirados, com o objetivo de construir uma imagem positiva de uma elite que se apresenta cosmopolita. Esse capítulo da construção da sociedade paulista ganha visibilidade com a publicação do livro “Holocausto paulista: o genocídio dos Kaingang sob o mito da paulistanidade”, do professor e doutor em educação Leonardo Sacramento, recentemente publicado pela Editora Telha.

Obras que ovacionavam o genocídio até meados de 1950 deixaram de ser publicadas por uma falsificação histórica e política que “Holocausto Paulista” pretende contribuir em sua correção. No começo do século XX, algo em torno entre 30 a 40% do território paulista era habitado por povos indígenas, com protagonismo dos Kaingang.

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“Os genocídios no Brasil são tratados, historicamente e politicamente, como algo alheio e distante. Geralmente, como método de expiação de culpa, são jogados para um passado remoto cujos responsáveis seriam os portugueses. Ocorre que os dados demonstram que o genocídio dos povos indígenas, com legislação, teoria racial e aparato militar para eliminação, foi algo construído e consolidado pela elite paulista. O genocídio dos Kaingang entre 1900 e 1915 no noroeste do estado se transformou em um paradigma institucional replicado pela Ditadura Civil-Militar e governos estaduais”, afirma Leonardo Sacramento.

A oligarquia cafeicultora, os governos paulistas e a elite intelectual consideravam uma mancha na história do estado que se apresentava na República Velha como território de descendentes de heróis e representantes de um povo racialmente superior aos restantes dos brasileiros, sobretudo os nordestinos.

Segundo a elite da época, os paulistas seriam racialmente superiores por serem descendentes da mulher tupi e do branco português, diferentemente dos nordestinos, que seriam descendentes dos africanos e de indígenas tapuias, considerados inferiores porque não foram catequizados.

Mas como poderiam defender a superioridade racial dos paulistas se os Kaingang, povo classificado pelos paulistas de tapuias, controlavam parte do território paulista? A resposta a essa contradição “evolutiva” foi o genocídio dos Kaingang, com uma legislação específica e uma teoria racial, avançando-se concomitantemente o capital cafeeiro e substituindo-os por imigrantes brancos e cristãos.

Leonardo Sacramento. Foto: Divulgação

Leonardo Sacramento é pedagogo, com mestrado e doutorado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Seu doutorado analisou o impacto da política de inovação e ciência e tecnologia sobre a universidade pública, resultando na publicação do livro “A Universidade Mercantil: um estudo sobre a relaçāo entre universidade pública e o capital privado” (Editora Appris).

Atualmente é professor de educação básica de Ribeirão Preto e pedagogo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). Ministra os cursos “O que é Marxismo” e “Estudos Críticos sobre o Conservadorismo Brasileiro” (IFSP). Realiza pesquisa sobre a relação entre liberalismo e conservadorismo no Brasil e é autor dos livros “O Nascimento da Nação: como o liberalismo produziu o protofascismo brasileiro” (Vols. I e II, Editora IFSP) e “Discurso sobre o branco: notas sobre o racismo e a “apocalipse” do liberalismo” (Editora Alameda).

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