A Polícia Federal (PF) e a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) compraram armas de Israel durante o genocídio palestino. Os dois órgãos são vinculados ao Ministério da Justiça.
A PF comprou 200 rifles da Israel Weapon Industries (IWI) pelo valor de R$ 2.274.905,62 em 31 de dezembro de 2024. As armas seriam destinadas para o combate ao crime organizado.
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Um dia antes, o Ibama também adquiriu equipamentos militares da empresa que abastece as forças militares israelenses no genocídio em Gaza, como revelou a Alma Preta.
A oficialização da compra saiu na edição de 2 de janeiro deste ano do Diário Oficial da União.
Na data da assinatura do contrato, a ONU alertava o mundo sobre o colapso do sistema de saúde de Gaza em razão dos ataques de Israel a hospitais. Nesta semana, o ataque do Hamas a Israel, com 1.200 mortos, completou dois anos. O episódio iniciou os ataques israelenses ao povo palestino — com mais de 67 mil pessoas mortas.
A compra seguiu o mesmo caminho da negociação do Ibama: foi uma espécie de “carona” na licitação da Polícia Rodoviária Federal, iniciada em setembro de 2022, no governo Bolsonaro e concluída no governo Lula, em 2024. A Polícia Federal então se aproveitou de uma licitação de compra aberta e adquiriu seus equipamentos.
No caso da Polícia Federal, a documentação acessada pela Alma Preta cita a M.1 – Consultoria e Tecnologia, empresa brasileira sediada em Indaiatuba (SP), como representante e com a assinatura de um dos sócios. Apesar da indicação, a M.1 – Consultoria e Tecnologia alega que não representa mais a IWI em negociações.
A PF não respondeu aos questionamentos da Alma Preta.
A M.1 – Consultoria e Tecnologia afirmou, por meio do sócio Ederson Domingos, que representou a IWI entre 2018 a até o começo de 2024. A empresa alegou que continuava com alguns “contratos obrigacionais” devido a prazos de entrega e que já existia outro representante da IWI.

Sistema Penitenciário com armas de Israel
Antes da Polícia Federal e do Ibama, outro órgão do governo brasileiro fechou negócio com a fornecedora de armas do genocídio Palestino: a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Ministério da Justiça.
Em novembro de 2024, a secretaria comprou 272 armas da IWI pelo valor de R$ 3.093.872,16. A negociação também foi feita pela M.1-Consultoria e Tecnologia a partir da licitação iniciada pela Polícia Rodoviária Federal.
Um dia antes da assinatura do contrato, Gaza informava que mais de 44 mil pessoas morreram no território atacado por Israel.
A Alma Preta acessou uma troca de mensagem entre o Ministério da Justiça e a empresa. Nas conversas, o órgão público enviou o brasão do Brasil para a marcação das armas.
Mais tarde, em 17 de junho de 2025, a Senappen aprovou o layout das armas. Na época da resposta, o mundo via um ataque de Israel matar mais de 45 palestinos que aguardavam caminhões com ajuda humanitária.

No dia de resposta da Senappen, o presidente Lula falava ao G7, no Canadá, que nada justificava a “matança indiscriminada de milhares de mulheres e crianças e o uso da fome como arma de guerra” e pedia o reconhecimento do Estado Palestino.
Durante a agenda na ONU em setembro de 2025, o presidente Lula voltou a criticar o genocídio contra os palestinos promovido por Israel, condenando os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023.
“Nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza”, disse Lula. O presidente ainda criticou o que chamou de “cumplicidade dos que poderiam evitá-lo” e o uso da fome como arma de guerra.
Na delegação de Lula, ao lado da primeira-dama Janja da Silva e do chanceler Mauro Vieira, estava Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça — pasta que guarda a PF e a Senappen.
Procurada, a Senappen não retornou ao pedido de posicionamento da Alma Preta.