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PF e órgão que gere prisões compram armas de Israel durante genocídio palestino

Assim como órgão ambiental, PF negociou armamento da fabricante israelense IWI por mais de R$ 2 milhões; um dia antes, o Ibama também havia comprado armamentos da empresa
PF, assim como o Ibama, adquiriu armas do tipo "ARAD", um dos modelos mais populares da IWI | Facebook- IWI Int'

PF, assim como o Ibama, adquiriu armas do tipo "ARAD", um dos modelos mais populares da IWI | Facebook- IWI Int'

— PF, assim como o Ibama, adquiriu armas do tipo "ARAD", um dos modelos mais populares da IWI | Facebook- IWI Int'

11 de outubro de 2025

A Polícia Federal (PF) e a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) compraram armas de Israel durante o genocídio palestino. Os dois órgãos são vinculados ao Ministério da Justiça.

A PF comprou 200 rifles da Israel Weapon Industries (IWI) pelo valor de R$ 2.274.905,62 em 31 de dezembro de 2024. As armas seriam destinadas para o combate ao crime organizado.

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Um dia antes, o Ibama também adquiriu equipamentos militares da empresa que abastece as forças militares israelenses no genocídio em Gaza, como revelou a Alma Preta.

A oficialização da compra saiu na edição de 2 de janeiro deste ano do Diário Oficial da União.

Na data da assinatura do contrato, a ONU alertava o mundo sobre o colapso do sistema de saúde de Gaza em razão dos ataques de Israel a hospitais. Nesta semana, o ataque do Hamas a Israel, com 1.200 mortos, completou dois anos. O episódio iniciou os ataques israelenses ao povo palestino — com mais de 67 mil pessoas mortas.

A compra seguiu o mesmo caminho da negociação do Ibama: foi uma espécie de “carona” na licitação da Polícia Rodoviária Federal, iniciada em setembro de 2022, no governo Bolsonaro e concluída no governo Lula, em 2024. A Polícia Federal então se aproveitou de uma licitação de compra aberta e adquiriu seus equipamentos.

No caso da Polícia Federal, a documentação acessada pela Alma Preta cita a M.1 – Consultoria e Tecnologia, empresa brasileira sediada em Indaiatuba (SP), como representante e com a assinatura de um dos sócios. Apesar da indicação, a M.1 – Consultoria e Tecnologia alega que não representa mais a IWI em negociações.

A PF não respondeu aos questionamentos da Alma Preta.

A M.1 – Consultoria e Tecnologia afirmou, por meio do sócio Ederson Domingos, que representou a IWI entre 2018 a até o começo de 2024. A empresa alegou que continuava com alguns “contratos obrigacionais” devido a prazos de entrega e que já existia outro representante da IWI.

Exemplares de armas compradas pelo Ministério de Defesa de Israel da IWI em setembro de 2024, já com o genocídio palestino em curso. Foto: Facebook/Ministério da Defesa de Israel.

Sistema Penitenciário com armas de Israel

Antes da Polícia Federal e do Ibama, outro órgão do governo brasileiro fechou negócio com a fornecedora de armas do genocídio Palestino: a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Ministério da Justiça. 

Em novembro de 2024, a secretaria comprou 272 armas da IWI pelo valor de R$ 3.093.872,16. A negociação também foi feita pela M.1-Consultoria e Tecnologia a partir da licitação iniciada pela Polícia Rodoviária Federal. 

Um dia antes da assinatura do contrato, Gaza informava que mais de 44 mil pessoas morreram no território atacado por Israel.

A Alma Preta acessou uma troca de mensagem entre o Ministério da Justiça e a empresa. Nas conversas, o órgão público enviou o brasão do Brasil para a marcação das armas.

Mais tarde, em 17 de junho de 2025, a Senappen aprovou o layout das armas. Na época da resposta, o mundo via um ataque de Israel matar mais de 45 palestinos que aguardavam caminhões com ajuda humanitária. 

Troca de e-mail entre representantes da M.1 – Consultoria e Tecnologia e o Ministério da Justiça sobre a confecção de armas da empresa israelense IWI. Foto: Reprodução/Sistema Eletrônico de Informações.

No dia de resposta da Senappen, o presidente Lula falava ao G7, no Canadá, que nada justificava a “matança indiscriminada de milhares de mulheres e crianças e o uso da fome como arma de guerra” e pedia o reconhecimento do Estado Palestino.

Durante a agenda na ONU em setembro de 2025, o presidente Lula voltou a criticar o genocídio contra os palestinos promovido por Israel, condenando os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023.

 “Nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza”, disse Lula. O presidente ainda criticou o que chamou de “cumplicidade dos que poderiam evitá-lo” e o uso da fome como arma de guerra. 

Na delegação de Lula, ao lado da primeira-dama Janja da Silva e do chanceler Mauro Vieira, estava Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça — pasta que guarda a PF e a Senappen.

Procurada, a Senappen não retornou ao pedido de posicionamento da Alma Preta.

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  • Pedro Borges

    Pedro Borges é cofundador, editor-chefe da Alma Preta. Formado pela UNESP, Pedro Borges compôs a equipe do Profissão Repórter e é co-autor do livro "AI-5 50 ANOS - Ainda não terminou de acabar", vencedor do Prêmio Jabuti em 2020 na categoria Artes.

  • Pedro Ezequiel é jornalista formado pela ECA - USP. Com passagens pelo UOL e Giz Brasil, é repórter, entusiasta da Lei de Acesso à Informação e de podcasts narrativos.

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