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COP30 em Belém exige debate sobre racismo e desigualdades históricas

Cobertura da Alma Preta no evento global busca priorizar vozes de comunidades historicamente marginalizadas, como as indígenas e quilombolas
Indígenas durante acampamento em protesto contra o marco temporal, em 2023

Indígenas durante acampamento em protesto contra o marco temporal, em 2023

— Marcelo Camargo/Agência Brasil

4 de novembro de 2025

Pela primeira vez na história, o principal encontro de clima da ONU, a COP30, será realizado em solo amazônico com atenção para as vozes de comunidades historicamente marginalizadas, como as indígenas e quilombolas.

Para isso, ter uma cobertura com perspectiva antirracista e comprometida com as pautas dos povos originários é um compromisso da Alma Preta, que terá uma equipe exclusiva em Belém, como os repórteres Pedro Borges e Fernando Assunção.

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Editor-chefe da Alma Preta, Pedro Borges avalia que a conferência no Brasil exige que as pautas de clima e meio ambiente sejam debatidas com propostas para enfrentar desigualdades históricas.

“A COP tem que ser muito bem acompanhada de uma discussão clara e justa sobre desigualdade social, sobre racismo, não do ponto de vista moral e ético, mas racismo no plano político material. Acho que essas são discussões fundamentais”, comenta.

Borges também observa a falta de protagonismo dos povos originários e da população negra na elaboração política de eventos como a COP.

“A maneira como as discussões são tomadas vão colocar, sobretudo, em vulnerabilidade aqueles grupos que são os mais marginalizados. Você vê que a COP não consegue dar respostas à velocidade que o mundo e que esses grupos pedem e precisam”, reflete.

Obras da COP30 expõem racismo ambiental em Belém

Enquanto investimentos para a COP30 se concentram em áreas nobres de Belém, sede do evento, comunidades tradicionais e periféricas sofrem com a violação de direitos em nome da conferência global.

O repórter da Alma Preta em Belém, Fernando Assunção, tem acompanhado casos que ilustram esse cenário, como na Vila da Barca, favela de palafitas que recebe esgoto e entulhos de bairro nobre em obra da COP30.

“Esses casos evidenciam o racismo ambiental. É preciso reconhecer e enfrentar o fato de que as populações negras e tradicionais continuam sendo as mais afetadas pelos impactos socioambientais, enquanto suas vozes seguem sendo silenciadas, inclusive nos debates oficiais da COP e nos eventos preparatórios, como a Cúpula da Amazônia”, analisa o repórter.

Em um território com forte presença indígena e quilombola, falar sobre as populações afetadas pela crise climática é fundamental para além dos debates institucionais.

“Discutir o impacto da COP30, portanto, significa denunciar essas contradições e exigir que as comunidades amazônicas, especialmente as negras e indígenas, deixem de ser tratadas como cenário e passem a ocupar o centro das decisões climáticas”, destaca.

A importância do jornalismo antirracista na COP30

Durante a COP30, que acontece entre os dias 10 e 21 de novembro, a Alma Preta terá uma equipe exclusiva em Belém para a produção de conteúdos com visibilidade para temáticas ambientais com a perspectiva de quem está na linha de frente da crise climática.

A agência, enquanto veículo antirracista e independente, tem como compromisso fazer um contraponto à cobertura institucional e da imprensa hegemônica, que reforçam estereótipos sobre a Amazônia, segundo avalia o repórter Fernando Assunção.

“Nosso trabalho é expor as contradições do evento e amplificar as vozes que raramente têm espaço nos grandes veículos. O financiamento coletivo é essencial para garantir essa autonomia editorial”, completa.

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  • Dindara Paz

    Baiana, jornalista e graduanda no bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidade (UFBA). Me interesso por temáticas raciais, de gênero, justiça, comportamento e curiosidades. Curto séries documentais, livros de 'true crime' e música.

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